Discografia

Livro mergulha no universo do Camaleão do Rock

10-LIVRO-David_Bowie2013 foi o ano de David Bowie. Quebrando um longo período de reclusão, que veio cercado de rumores de que estava doente, o astro inglês voltou às paradas e aos noticiários ao lançar seu primeiro disco de músicas inéditas em dez anos. Sucessor de Reality (2003), The next day foi anunciado de forma discreta, pelo facebook, no dia do aniversário de 66 anos do artista e veio junto com o lançamento da balada reflexiva Where are we now?.

Mas, como nada é tão discreto assim em David Bowie, The next day gerou um alvoroço entre os fãs saudosos do ídolo. O disco recebeu críticas empolgadas e devolveu o músico ao topo das paradas, mesmo sem ele abrir um minuto da agenda para entrevistas ou shows. Até uma polêmica ele conseguiu, envolvendo religião e o clip de The next day (que foi cortado do Youtube). Aproveitando o bom momento, também foram lançados livros biográficos e reedições de álbuns importantes como Aladin sane e The rise and fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars.

No entanto, nenhuma homenagem faz tanto jus à obra difusa de David Bowie quanto a exposição que chegou dia 31 de janeiro ao Museu da Imagem e do Som de São Paulo. O evento acontece no ano em que o artista comemora 50 anos do lançamento do primeiro compacto, Liza Jane, quando ainda assinava como Davie Jones & The King Bees. Organizada pelo museu londrino Victoria & Albert, a exposição reúne 300 peças originais do arquivo de Bowie, entre figurinos, manuscritos, objetos pessoais e vídeos. Sem possibilidade (por enquanto) de passear por outras cidades brasileiras, a mostra pode ser conferida no livro oficial que está sendo lançado pela Cosac Naify.

CIS:E.315-2011Numa luxuosa edição ilustrada, o livro batizado simplesmente de David Bowie traça a história do músico, desde sua infância simples no subúrbio de Brixton até o reconhecimento internacional. Nesse percurso, estão todas as mudanças estéticas, recriações sonoras e revoluções comportamentais que ajudou a provocar. “É fácil aponta-lo como o mais significativo músico de sua geração, mas o impacto de sua música, de seu visual e de sua presença pública foi ainda mais longe. Sua influência sobre a ampla arena do espetáculo, da moda, das artes visuais, do design e da política de identidade continua a formar a cultura contemporânea no mais amplo sentido”, avaliam os curadores Victoria Broackes e Geoffrey Marsh na apresentação do livro.

Hábil em combinar elementos do pop e recriar a própria imagem, David Bowie nunca poupou esforços para fazer dos seus espetáculos uma experiência além da música. Nesse ponto, seus figurinos ajudaram a compor personagens provocadores, andróginos e glamorosos. Figura de proa do que ficou conhecido como glitter rock, ele subia ao palco sempre vestindo uma persona diferente. Ele já foi o garoto comportado do disco de estreia (1967), a figura feminina de Hunky Dory (1971), o alienígena másculo de Ziggy Stardust (1972) e o ser robótico de Heathen (2002).

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Em cada mudança de personagem, um novo conceito artístico muda o rumo do trabalho de David Bowie. Esticando limites, principalmente em relação à sexualidade, ele não se incomoda de aparecer no clipe de Boys keep swinging dentro de um vestido longo e brilhante. Ou ainda num casaco de brocados dourados, desenhado por Alexander McQueen, na turnê Earthling. Feito da mais pura matéria pop, Bowie influenciou artistas como Iggy Pop, Lady Gaga, Boy George e Ney Matogrosso. Adiantando tendências e recriando conceitos, ele fez história e criou um estilo que nunca envelhece.