
Mas, como nada é tão discreto assim em David Bowie, The next day gerou um alvoroço entre os fãs saudosos do ídolo. O disco recebeu críticas empolgadas e devolveu o músico ao topo das paradas, mesmo sem ele abrir um minuto da agenda para entrevistas ou shows. Até uma polêmica ele conseguiu, envolvendo religião e o clip de The next day (que foi cortado do Youtube). Aproveitando o bom momento, também foram lançados livros biográficos e reedições de álbuns importantes como Aladin sane e The rise and fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars.
No entanto, nenhuma homenagem faz tanto jus à obra difusa de David Bowie quanto a exposição que chegou dia 31 de janeiro ao Museu da Imagem e do Som de São Paulo. O evento acontece no ano em que o artista comemora 50 anos do lançamento do primeiro compacto, Liza Jane, quando ainda assinava como Davie Jones & The King Bees. Organizada pelo museu londrino Victoria & Albert, a exposição reúne 300 peças originais do arquivo de Bowie, entre figurinos, manuscritos, objetos pessoais e vídeos. Sem possibilidade (por enquanto) de passear por outras cidades brasileiras, a mostra pode ser conferida no livro oficial que está sendo lançado pela Cosac Naify.
Hábil em combinar elementos do pop e recriar a própria imagem, David Bowie nunca poupou esforços para fazer dos seus espetáculos uma experiência além da música. Nesse ponto, seus figurinos ajudaram a compor personagens provocadores, andróginos e glamorosos. Figura de proa do que ficou conhecido como glitter rock, ele subia ao palco sempre vestindo uma persona diferente. Ele já foi o garoto comportado do disco de estreia (1967), a figura feminina de Hunky Dory (1971), o alienígena másculo de Ziggy Stardust (1972) e o ser robótico de Heathen (2002).
Em cada mudança de personagem, um novo conceito artístico muda o rumo do trabalho de David Bowie. Esticando limites, principalmente em relação à sexualidade, ele não se incomoda de aparecer no clipe de Boys keep swinging dentro de um vestido longo e brilhante. Ou ainda num casaco de brocados dourados, desenhado por Alexander McQueen, na turnê Earthling. Feito da mais pura matéria pop, Bowie influenciou artistas como Iggy Pop, Lady Gaga, Boy George e Ney Matogrosso. Adiantando tendências e recriando conceitos, ele fez história e criou um estilo que nunca envelhece.