
Duas boas apresentações acontecem esta noite, às 21h, no Mambembe – Comida e outras artes. A primeira é do Mocker Studio, novo “empreendimento musical” (uau!) de Fortaleza. Com apenas sete meses de funcionamento, a ideia é reunir som, filme, foto, design e comunicação para projetos independentes num só lugar. No comando do Mocker estão a jornalista Alinne Rodrigues e o publicitário Igor Miná, ambos músicos com trabalhos que chegam aos EUA e Canadá.
Já a segunda apresentação desta noite é da banda Januei. Formada por Augusto Viana (guitarra e baixo), Caio Viana (huitarra, sintetizador e voz), George Alexandre (voz), João Luiz (baixo, guitarra e voz) e Nyelsen Bruno (bateria), a banda prefere se simplificar como rock, mas ressalta que acrascenta elementos regionais. Até aí nada demais.
Dance rock com cara de balada, Temporal tropical lembra os primeiros anos do Jota Quest e isso é um elogio (sim, o JQ já foi bom). A letra faz homenagem a Fernando Catatau e aconselha: “Quando estiver caindo, que se lembre de cantar para que, sobre o abismo, você possa flutuar”. Boa canção, boa interpretação, boa letra com pouco sentido (quem se importa?!).
Fez o que fez também requenta um ideia batida, que é brincar com o brega usando o sotaque indie. É bacana, mas tem cara de deja vú. Como a banda mostra entrosamento, sem perder o jeito de quem se diverte tocando, a faixa ganha robustez. O mesmo acontece em Beleza, que cheira a samba, mas é rock. É rock para abraçar o público.
A mais completa ausência de baladas em O fruto do pé é um ótimo sinal. Mostra que eles não estão atirando pra qualquer lado. E, para um trabalho inicial de uma banda com menos de um ano de vida, é corajoso. Há espaço para o Januei crescer, arredondar seu som, buscar mais conexões. Que venha o disco completo.