
Passados 12 anos daquela estreia, muita coisa aconteceu na vida desta inglesa. Uma delas foi uma diluição gradativa daquela idéia inicial de nova diva do soul. Apelando cada vez mais para sua beleza inquestionável, nem um segundo volume de The soul sessions, lançado em 2012, fez ela entender que fazer black music é bem mais que berrar no microfone. Ainda assim, ela lançou singles interessantes e montou parcerias curiosas, e não mais que curiosas, como a que rendeu o projeto Superheavy (2011), que contou com Mick Jagger (Rolling Stones), Dave Stewart (Eurythmics) e Damian Marley.
No entanto, além da embalagem, Water For Your Soul é uma reunião de ideias frouxas executadas sem ousadia. Embora não seja constrangedor, o disco não deve empolgar além dos fãs mais fieis. Seja flertando com o hip hop, seja fazendo reggae de branco, o disco é um festival de vícios comuns desses estilos, sem, de fato, usar tudo que eles têm a oferecer. Star, por exemplo, flerta com o hip hop, mas não deixa de parecer um cover mal feito da Lauryn Hill, além de ser cortada por um vergonhoso coral infantil.
[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=OsthYtvbu_c[/youtube]Mas nem tudo é aguado. Aqui e acolá, alguma faixa de Water for Your Soul pode ganhar mais força, principalmente quando for levada ao palco. Harry’s Symphony, com sampler de Linton Kwesi Johnson, e Clean Water, são interessantes. No entanto, é quando Joss Stone se propõe a ser mais simples que costuma acertar. É o que acontece em Sensimilla, uma baladinha suingada que fala de amor. Dosando a força dos pulmões, a cantora, hoje com 28 anos, ainda não acertou o passo para um disco de fato coeso, mas também não deixa de procurar novos caminhos.