Discografia

Série resgata novas histórias da música cearense

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Há sete anos, o empresário Ulysses Gaspar começou a desbravar os muitos percursos da música brasileira em entrevistas com seus principais personagens. Sejam cantores, compositores ou músicos, ele aproveita a passagem de artistas por Fortaleza ou vai até suas casas em outros estados para contar como é a relação deles com a arte, de onde ela vem e para onde ela vai. Assim nasceu o programa História da Música.

Em mais de 350 entrevistas realizadas ao longo desse tempo, a música cearense ocupou um espaço importante, tendo seus principais nomes revelado momentos importantes de sua trajetória. São esses momentos que preenchem as séries de DVDs A nova safra da música cearense e Grandes nomes da música cearense, que ganharam novos volumes este ano. A primeira conta com depoimentos de Teti, Pingo de Fortaleza, Rodger Rogério, Waldonys e Calé Alencar. Já a segunda traz Melquíades, Khalil Gibran, Lídia Maria, Isaac Cândido, Edinho Vilas Boas e Ciribáh Soares.

Para Ulysses Gaspar, ter essas histórias contadas pelos próprios músicos é o que faz o programa ser mais interessante. “Eles trazem curiosidades que pouca gente sabe, como o fato do Fagner ter nascido em Fortaleza e não em Orós, como muitos pensam”, conta o apresentador e produtor do projeto que foi inspirado no programa Encontro Marcado com Chico Pinheiro, hoje repaginado como Sarau (Globo News). Além do Ceará, o programa História da Música também já ouviu o que gente como Leila Pinheiro, João Donato, Dominguinhos e tantos outros têm a dizer. Se assumindo como um músico frustrado, Ulysses brinca dizendo que compensa a carreira que não deu certo ouvindo e convivendo com os profissionais da área.

Para os conterrâneos, o trabalho desenvolvido por Ulysses Gaspar é digno de aplausos.  “Se no Ceará tivesse 10 Ulysses pensando na cena local, a música daqui estaria melhor. Ele consegue enxergar a galera. Bacana ter alguém que pensa na cena local”, elogia o cantor e compositor Isaac Cândido. Embora não seja bem de uma “nova safra” da música cearense, o artista com mais de 20 anos de carreira se surpreende que boa parte dos problemas que sua geração enfrentou – pouco apoio e espaço nas rádios locais, por exemplo – ainda persistem para os mais novos. E por isso ele admira a persistência dos mais jovens. “Ta todo mundo tocando melhor que a minha geração. A galera evoluiu tocando, mas sinto falta dos letristas, de uma forma mais consistente, com mais profundidade”, aponta.

Ciribah Soares também está atento ao que acontece na música local e comemora fazer parte desse registro lançado em DVD. “Já fiz dois programas com ele (Ulysses) e é um dos poucos meios que a gente ainda tem para divulgar o trabalho autoral. As rádios tocam muito pouco a nossa música”, critica acrescentando que nunca faltou música boa por aqui. “Eu ouvi os discos da Lídia (Maria), da Lorena (Nunes), do Khalil Gibran, do Felipe de Paula e achei todos lindos. Talento a gente tem muito, mas precisa saber o que falta para estar tocando”, questiona.

Além do programa exibido na TV Cultura, os DVDs do História da Música são encaminhados para os arquivos do Museu da Imagem e do Som. Ainda em 2015, uma nova caixa está programada com os perfis de Marcos Lessa, Cainã Cavalcante, Gilmar Nunes, Ricardo Black, Liliany Sá e Carlinhos Palhano. A venda dos boxes acontece no Lar Amigos de Jesus que cuida de crianças e adolescentes com câncer e toda a renda do projeto é destinada à instituição.

Serviço:
A nova safra da música cearense – 2º volume
Participações de Melquíades, Khalil Gibran, Lídia Maria, Isaac Cândido, Edinho Vilas Boas e Ciribáh Soares
À venda no Lar Amigos de Jesus (Rua Ildefonso Albano, 3052 – Joaquim Távora)
Quanto: R$ 50