Discografia

Edson Cordeiro encanta o público com The Countertainer

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Imagens do show em Fortaleza (Divulgação)

Edson Cordeiro é um intérprete que cresce nas contradições. O corpo pequeno abriga uma voz tamanha, já conhecida pelo alcance nas quatro oitavas – para quem não entende, significa que ele vai de notas graves ao agudo. No lugar da imensa cabeleira apresentada no início de carreira, agora ele ostenta uma lustrosa careca. No palco, o intérprete brinca com um repertório que vai de Pixinguinha (Carinhoso) ao grupo pop Aqua (Barbie Girl). Nesse caminho, paradas pontuais em temas eruditos. Uma joia nacional que engrandece a cena internacional.

Essas contradições enriqueceram o show The Countertainer, apresentado no último fim de semana em Fortaleza, numa maratona de dois shows no sábado e dois no domingo na Caixa Cultural. O show faz uma especie de lançamento do disco Paradiesvogel, lançado 11 anos depois do pouco divulgado Contratenor. Com uma seleção de peças de Bach, Handel, Mozart e outros gênios criadores, este álbum de 2005 foi uma espécie de alento aos fãs brasileiros, uma vez que o cantor do interior paulista há muitos anos mora na Alemanha e de lá não pretende voltar tão cedo.

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A opção de mudança de continente marcou um busca de Cordeiro por um espaço maior para a música que acredita e gosta de fazer. Trata-se de uma música forte, perene e imortal, imune a modismos ou intempéries mercadológicas. Lá, ele frequenta o circuito erudito e jazzístico (seu disco com o Klazz Brothers é obrigatório). Por aqui, ele precisaria fazer concessões e se render a um mercado trapaceiro para tocar no rádio. Isso explica um pouco do ar pedante do showman.

Sim, Edson Cordeiro não é um artista da simplicidade. Quanto mais ele tenta soar humilde, mais artificial fica. Edson Cordeiro é um gigante no palco. Sabe ser teatral, impecável, perfeito em cena. Sua figura toma ares heroicos quando abre a boca e ele sabe disso. Ter se estabelecido (vencido?) no exterior ajuda a solidificar essas certezas.

E é essa figura magnânima que apresentou temas como Besame Mucho, Saudade da Minha Terra, Close to You, Frozen e Dacin’ Queen e muitos outros. Ao seu lado o pianista Antonio Vaz Lemes, dono de um toque cheio de técnica, precisão e certeza.

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Nunca vi um show de Edson Cordeiro que não fosse voz e piano. Aliás, também vi o show Disco Clubbing no Pirata, um dos seus espetáculos mais bem sucedidos e marcantes, mas foi uma decepção guiada por um paupérrimo playback. Um ponto fora da curva que não combina com o controle de qualidade de Edson Cordeiro. Prefiro acreditar (mesmo que ingenuamente) que um erro de produção o fez subir ao palco naquele dia.

Sim, por que ele não precisa de playback pra fazer show. Não precisa recorrer a um recurso tão baixo, digno de quem não tem talento ou de quem está ali só pra uma apresentação rápida (por isso o playback é tão usado na TV). Edson Cordeiro tem a magia do flautista de Hamelin, que hipnotizava seu público (os ratos no conto dos irmãos Grimm) com música. The Countertainer é um banho de música apresentado por um gigante.