Discografia

Marcos Lessa canta Belchior em show no Teatro RioMar

Foto: Guto Costa

Por Camila Holanda (camilaholanda@opovo.com.br)

A relação de Marcos Lessa com a obra de Belchior mudou. Até meados do ano passado, o cantor ainda não havia imergido nas entranhas dos discos do rapaz latino-americano, conhecendo apenas a superfície de algo tão denso. Mas, em 12 de novembro de 2017, o artista inaugurou show que cantava a obra do sobralense, desmembrando o “lado b” do compositor. Para realizar o espetáculo, Lessa contou com a curadoria musical do jornalista Marcos Sampaio (editor-adjunto do Vida&Arte). “Muita coisa do que ele me apresentou eu não conhecia”, revela o cantor.

Depois de ter viajado com o show por cidades, como Brasília, Curitiba e Porto Alegre, Marcos Lessa volta a Fortaleza com Coração Selvagem, para revisitar a obra de Belchior, desta vez, com novo repertório. O espetáculo terá apresentação única nesta sexta-feira, 3, no palco do Teatro RioMar. Com o tempo, as viagens, o show foi amadurecendo, conta o artista. “Eu conhecia pouquíssimo da obra do Belchior, conhecia mais os sucessos. Não tinha uma intimidade tão grande com as músicas”, explica. “A obra do Belchior é uma aula de literatura, de história, de direitos humanos”, avalia, mostrando uma maior proximidade com o repertório selecionado.

A princípio, quando o show Coração Selvagem, de Lessa, estreou, ele fazia um percurso mais voltado pelo “lado b” de Belchior, indo na contra-mão do que a maioria dos tributos ao compositor passou a fazer logo depois daquele fatídico 30 de abril de 2017, quando o artista saiu de cena. Agora, quase um ano depois da estreia, Lessa mexe no repertório do espetáculo, contemplando mais o “lado A”, que não era a proposta inicial.

O show abre com o tema de Here Comes the Sun, dos Beatles, passa por Galos, Noites e Quintais, De Primeira Grandeza, Sensual, além das mais conhecidas Apenas um Rapaz Latino-Americano, Coração Selvagem, Alucinação, Tudo Outra Vez e outras. “A gente termina com Doce Mistério da Vida, que não é um sucesso. Ele gravou em um disco mais recente (Vício elegante, 1996) e foi a última música em que ele aparece cantando em vídeo (durante um show de Tom Zé)”.

Marcos é mais conhecido por usar a voz como intérprete, tendo feito percursos pelas obras de Gonzaguinha, Clara Nunes, Emílio Santiago, Frank Sinatra e outros grandes nomes. Ele, contudo, tem buscado abrir possibilidades para sua obra autoral e adianta que, no show em homenagem a Belchior, levará ainda canções de sua autoria. “Quando eu fazia um tributo, eu só cantava as músicas do artista homenageado. Agora, pego o violão e apresento um bloco de composições só minhas”, contextualiza.

O artista tem, inclusive, dois discos engatilhados para serem lançados, um no fim de 2019, intitulado Mergulhador (produzido por Gabriel Selvagem) e outro que está sendo gravado em parceria com Roberto Menescal. “É um disco que vem bem brasileiro, na linha tradicional da música brasileira, com composições de Tom Jobim, Marcos Valle, Menescal e minhas. É autenticamente brasileiro, na escola dos anos 1960 de fazer música. Este disco fecha uma etapa da minha vida, que dura 10 anos. Depois disto, vou focar mais no contemporâneo”, avança.

Marcos Lessa em Coração Selvagem
Quando: amanhã, às 21 horas
Onde: Teatro RioMar (rua Lauro Nogueira, 1500 – Papicu)
Quanto: R$ 60 (plateia alta); R$ 80 (plateia baixa B); R$ 100 (plateia baixa A). Preços de inteira
Telefone: 3244 2688

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.