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Coluna Mimi Rocha 14: Então é Natal…

Quem não torceu o nariz para a versão da clássica canção natalina e pacifista de John Lennon Happy Xmas (War is Over), de 1971, que foi um grande sucesso na voz de Simone em 1995? Antes, já éramos massacrados nesse mesmo período pelo Jingle Bells, executado na harpa paraguaia de Luís Bordon, que tocava em cada loja do centro ou de shoppings.

A tradição de comemorar o natal vem de no mínimo uns sete mil anos atrás. Era uma homenagem ao Deus persa Mitra e marcava também o solstício de inverno, a noite mais longa do ano no hemisfério norte, que acontece no final de dezembro. O cristianismo se apoderou da data na era de Constantino, tendo Jesus Cristo como o aniversariante e homenageado.

As primeiras canções natalinas datam da idade média. Mas, só no século 16, God Rest Ye Merry, Gentlemen se torna o primeiro “standard” a se manter através dos tempos com variações de letras e melodia. J.S. Bach compôs a obra prima Weihnachts-Oratorium (Oratório de Natal BWV248) em 1734, com quase três horas de duração para ser apresentado na temporada natalina na igreja de Leipzig. Beethoven e sua Ode to Joy da nona sinfonia em Ré menor (1824) foi adotada como música natalina. Outros compositores eruditos compuseram obras mais curtas entre as quais Adeste FidelesO Tannenbaum são tocadas até hoje.

Com a popularização da música em vinil, no final dos anos 1940, e surgimento de grandes artistas de destaque, a indústria fonográfica não podia deixar de explorar esse filão e o furor consumista dessa época do ano. Os pioneiros e até hoje considerados os reis da música natalina são Bing Crosby, que lançou em 1949 o single Merry Christmas; Frank Sinatra com os clássicos Christmas Songs by Sinatra (1948), A Jolly Christmas from Frank Sinatra (1957); e, já na fase rock, Elvis Presley com Elvis’ Christmas Album, também de 1957, até hoje o disco natalino mais vendido de todos os tempos.

O Fab Four (The Beatles) gravavam cada ano um disco com uma mensagem natalina que era enviado aos fã-clubes desde 1963 até 1970. Um disco reunindo as sete faixas foi lançado depois já no selo Apple Records.

Com o sucesso de vendas de discos natalinos, praticamente todos os artistas de renome internacional embarcaram na onda e lançam até hoje o seu “Christmas album”. Aqui no Brasil, merecem destaque a belíssima e triste Boas Festas ( Assis Valente), Natal das crianças (Blecaute), O Velhinho (Otávio Filho), Um Feliz Natal (Ivan Lins) e a vinheta de fim de ano da Globo Um novo tempo (Marcos Valle/ Paulo Sérgio/ Nelson Mota). Destaco também o ótimo disco Natal bem Brasileiro, de 2008. Produzido por Thiago Marques e com vários artistas, mostra um pouco desse nosso Natal tupiniquim com convidados ilustres: Dominguinhos, Maria Alcina, Célia, Elba Ramalho.

Fiz uma lista com as canções mais representativas dessa época:

  • Noite Feliz
  • White Christmas
  • Jingle Bells
  • Ave Maria
  • Adeste Fidelis
  • Joy to the World
  • Have yourself a merry Christmas
  • We wish you a Merry Christmas
  • Jingle bell rock
  • Let it snow
  • Oh, Holy Night
  • Happy Xmas (War is over)
  • God rest ye merry, gentlemen
  • Santa Claus is coming to town
  • Boas festas
  • O velhinho
  • Papai Noel das crianças
  • Pinheirinho
  • Jesus alegria dos homens
  • Um feliz natal

Desejo a todos um Natal de saúde, paz e amor.

Mimi Rocha é músico e produtor. Ele escreve nesse espaço quinzenalmente

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