Fisioterapia & Saúde

A História da Menina Haitiana e o Fisioterapeuta

meninaPorto Príncipe, 8 abr (Prensa Latina) A pequena Daisan Jeanvierre caminha hoje quase com normalidade, sem esquecer que esteve a ponto de perder um dos pés, ao qual um fisioterapeuta cubano prestou um cuidado especial.   No dia 12 de janeiro deste ano, Daisan jogava na varanda de sua casa, quando as sacudidas do poderoso terremoto que assolou esta capital, a assustaram. Pensou então que um de seus bonecos corria perigo e foi por ele, ao sair, no entanto, escorregou e o teto caiu em cima de sua perna direita. Nessa hora, o fisioterapeuta Leonel Díaz Bazán voltava para sua casa no município de Guamá, em Santiago de Cuba, sem imaginar que em alguns dias depois sua história se entrelaçaria com a de uma menina haitiana. Pouco depois, Díaz recebeu um chamado, preparou uma mochila e desembarcou nesta capital, onde o atribuíram ao hospital de La Paz, em uma zona conhecida como Delmas 33. No princípio, Díaz e vários de seus colegas criaram as condições mínimas para trabalhar: limparam as salas e os arredores, pintaram, e prepararam os equipamentos para iniciar a reabilitação dos traumatizados pelo terremoto. Alguns dias mais tarde, numa dessas manhãs calorosas de Porto Príncipe, surpreenderam-no os olhos de uma menina que sua mãe levava nos braços à primeira sessão de fisioterapia. Para o técnico cubano, aqueles foram dias muito difíceis, nos quais sempre atendia até 40 pessoas, mas não pode esquecer a Daisan: “nada mais me simpatizou quando a vi. Seus olhos diziam-me que era uma menina especial”.

“Daysan não caminhava bem pela dor na perna. Seu tornozelo tinha sofrido uma fratura e custava-lhe muito firmar o pé. E veio porque sua mamãe se inteirou dos serviços de reabilitação”, recorda Díaz.

“Começamos a dar-lhe calor, massagens e a fazer-lhe exercícios e rapidamente identificou-se comigo de uma maneira espantosa”, recorda o fisioterapeuta cubano.

Díaz conta com orgulho que a pequena Daisan, quando chega ao hospital entra a buscá-lo e pergunta por seu papai. Inclusive, pediu-lhe fotos de seus filhos para tê-los em casa, porque considera-os seus irmãos.

“Até trouxe-me seu papai -o verdadeiro- e disse-lhe que eu era o cubano. Há três dias veio com uma foto dela para que a envie a meu filho mais velho, porque é com quem ela se acha mais parecida”, comenta com orgulho Díaz.

Díaz recorda que no princípio ele lhe “oferecia caramelos para entreter-la enquanto decorria a sessão de recuperação, mas agora é Daisan que vem com os caramelos. Inclusive, não quer ir embora quando termina os exercícios”.

“Antes de ir, distribui beijos a todos os que trabalhamos aqui e sempre promete voltar no outro dia”, recorda com orgulho o colaborador cubano, que considera a reabilitação como uma parte importante do trabalho para apagar os danos ocasionados pelo terremoto de 12 de janeiro.

O movimento telúrico deixou mais de 220 mil mortos, cerca de 300 mil feridos e mais de um milhão e 200 mil desabrigados.

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