Fisioterapia & Saúde

Dor na coluna afeta 36% da população

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SAÚDE Estudo da Fiocruz mostra que apenas 68% buscam tratamento; reeducação postural pode evitar a cirurgia

Por: FABIANA MASCARENHAS
Escovar os dentes após as refeições, tomar banho diariamente, não deixar a toalha molhada em cima da cama. Quem de nós não recebeu uma dessas orientações dos pais ainda quando éramos crianças? Na contramão desses ensinamentos, no entanto, é difícil encontrar alguém que tenha recebido orientações desde a infância de como se sentar ou dormir corretamente.Embora possa parecer bobagem para alguns, a falta de cuidados com a coluna e com a postura adequada é apontada como uma das principais causas de dores na região, problema que afeta boa parte da população. Não à toa, a dor na coluna é a segunda maior fonte de dor no mundo, perdendo somente para a dor de cabeça. É, também, a menos tratada, apesar de ser percebida precocemente. O problema afeta 36% da população, e 68% dos atingidos buscam tratamento, de acordo com dados de um estudo realizado pela Escola Nacional de Saúde Pública, ligada à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Foram entrevistados 12.423 pessoas com mais de 20 anos em todas as regiões do Brasil. O problema também está presente nas estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estima que 80% da população sofrerá ao menos um episódio de dor nas costas na vida.

Consciência Para a fisioterapeuta e diretora da Clínica Mover-se Fisioterapia, Verônica Bonelli, não basta corrigir a postura: o que falta é consciência corporal. “Corrigir a postura é corrigir um padrão neuromotor”. Essa correção se dá a partir de uma desconstrução do padrão postural vicioso, enganoso e inadequado e a construção de novos circuitos neuromotores, que vão produzir uma outra maneira de usar os músculos e articulações da coluna”, afirma. Isso significa que, se não houver um entendimento de como funciona a coluna, a atividade física em si, tentar ficar na postura correta ou resolver o problema por meio de medicações servirão apenas para amenizar o problema de maneira provisória. “É preciso ter consciência do próprio corpo e entender para que serve e como funciona cada um dos músculos e articulações que fazem parte dessa região. O conhecimento é o único capaz de criar um padrão correto”, diz.

Na opinião de Verônica Bonelli, orientações sobre a postura e a prevenção dos problemas de coluna deveriam ser ensinados na escola. “A prevenção desde a infância faz com que o hábito se torne uma rotina. As escolas deveriam estar atentas e disponibilizar cadeiras e mesas ergonômicas (que melhor se adaptam ao corpo e necessidade das pessoas), sobretudo nas particulares, já que os pais costumam pagar mensalidades absurdas”, diz. Causas De acordo com o reumatologista Sérgio Bontempi Lanzotti, diretor do Instituto de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares (Iredo), entre as principais causas para a ocorrência de lombalgia estão os tumores, cistos, lesões nos nervos, nas vértebras, nos discos, má postura, fraqueza dos músculos, obesidade e até o tabagismo. “Felizmente, a evolução desta dor, geralmente, é benigna, em termos de alívio, espontâneo. Repousa-se, espera se um pouco e a tendência é a melhora dos sintomas”, explica. Em geral, as lombalgias, têm origem mecânico-postural. Embora nas regiões cervical, dorsal e lombar possam ocorrer tumores, infecção ou inflamações, a causa mais frequente da dor nas costas é a chamada mecânico-postural degenerativa. “Alguns pacientes têm a coluna perfeitamente alinhada, não apresentam desvio postural e reclamam de dor nas costas.Pode-se dizer que, nesses casos, a dor é causada por alterações musculares resultantes. Portanto, não é necessário haver um problema de postura para o sintoma aparecer”, explica. Um exemplo comum é o da pessoa que permanece muito tempo na mesma posição sem conseguir relaxar a musculatura, como secretárias, digitadores e motoristas. “Essas pessoas devem redobrar os cuidados, já que os riscos são maiores nesses casos”, orienta Sérgio Lanzotti.

Fonte: A Tarde.