Fisioterapia & Saúde

As mãos que curam

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Agência BOM DIA

Clodoaldo de Silva/Agência BOM DIA

Gonçalo Miguel Carvalho Junior está diretamente ligado às últimas três décadas do esporte de Jundiaí, afinal, foi este fisioterapeuta gente boa do Colégio Divino Salvador que recuperou a carreira de centenas de atletas, desde peladeiros de fim de semana a estrelas como Magic Paula

 

No início da década de 1990, a armadora Paula voltou ao colégio Divino Salvador, onde havia nascido para o basquete uma década antes. Realizou o percurso de sempre da portaria para o ginásio, mas precisou fazer uma parada forçada no caminho e entrou em uma salinha.

Lá estava Gonçalo, o mesmo personagem que saía em todo pôster dos times que fizeram a década de ouro do colégio, mas que muitas vezes foi o salvador da equipe. O fisioterapeuta estava pronto para ajudar na recuperação da jogadora, que havia operado o joelho. Indiretamente contribuiu com a conquista do título mundial pela seleção brasileira em 1994, afinal, foi ele quem deixou a estrela do time novinha.

Ao longo de 38 anos de profissão, Gonçalo Miguel Carvalho Junior presenciou muitas conquistas e histórias que dariam um livro, daqueles grossos. Viu atleta chorar de dor e sorrir ao voltar a ganhar uma medalha.

Gonçalo , 55 anos, tem o esporte no sangue. O pai, também Gonçalo Miguel, foi lateral-esquerdo do São Paulo em 1954. E assim, nasceu seu amor pelo clube paulista.

Aos 3 anos de idade, Gonçalo  se mudou com a família de São Paulo para Jundiaí e começou sua outra paixão, a cidade.

 Formado pela Universidade São Camilo, na Capital, Gonçalo fez estágio no São Paulo e permaneceu no clube até 1986. Neste tempo, conviveu com grandes nomes da fisioterapia, como Luiz Rosan, que hoje faz parte da comissão técnica da seleção brasileira. “Adquiri muita bagagem com os mestres”, conta.

Na sua passagem pelo Tricolor paulista, Gonçalo participou da recuperação de Paulo Roberto Falcão, depois que o jogador retornou da Roma.

Mas seu crescimento profissional se deu em Jundiaí e é impossível não ligar o seu nome ao da história vitoriosa do Divino.

“Aqui [no colégio] tenho todas as condições de trabalho e não saio de Jundiaí por nada”, conta. Gonçalo, que afirma ter recusado convites da seleção brasileira de basquete (apesar de sempre estar ajudando as categorias de base que usam Jundiaí para treinamentos).

Receita / Gonçalo é um profissional carismático. Sua sala no colégio está sempre cheia, desde alunos da escola, professores, atletas (cuida de todos que representam Jundiaí) e mesmo de gente sem lesão alguma, que vai lá para falar de esporte.

A fórmula de tanta popularidade?  “Para você ser um  bom profissional, tem que fazer as coisas com amor”, diz. Isso ele conta receber diretamente das crianças do colégio. “O carinho é sinal que o trabalho está sendo reconhecido”, afirma.

ATLETAS Ao longo de sua carreira, centenas de atletas passaram pelas mãos de Gonçado, de inúmeras modalidades, mas até hoje é apontado com uma espécie de guru na recuperação de Paula, que chegou a ser desenganada com um inchaço no joelho que custava a regredir. Ele desconfiou que o problema seria simples de ser resolvido e foi atrás de médicos para provar sua tese. “O princípio ativo de um remédio provocava alergia e isso foi comprovado com exames conseguimos fazer em São Paulo. Em 20 dias, as dores sumiram.”

Para quem teme aquela dorzinha no dia em que Gonçalo se aposentar e passar a frequentar a sala para bater papo, uma das integrantes de sua equipe, a fisioterapeuta Fernanda Zignani Carvalho, é sua filha. O legado da família vai continuar. Está remediado.

Quem é e o que faz:
Nome_ Gonçalo Miguel Carvalho Júnior
Idade_ 55 anos
Profissão_ Fisioterapeuta
Clubes_ Formado pela Universidade São Camilo, em São Paulo, fez estágio no São Paulo (1982-1986) e participou de conquistas pelo basquete do Divino e vôlei do Leites Nestlé

Sem o motorista, bota o Gonçalo no volante

A especialidade de Gonçalo é o basquete, onde consolidou sua carreira. Ele começou a trabalhar com  a modalidade aos 19 anos. Participou de várias formações de times, conquistou inúmeros  títulos e esteve presente por várias vezes na seleção paulista.

Com esse tempo todo de esporte, coleciona causos e mais causos. Em certa ocasião,  teve que dirigir um ônibus que levava a equipe para um amistoso em Minas Gerais.

“O motorista ficou doente e não tinha ninguém para conduzir o ônibus”, revela.  O Volvo de 28 lugares, de uma empresa de Campinas, foi guiado pelo fisioterapeuta.

“Na hora de estacionar não vi um carro e dei uma batidinha na hora de manobrar o ônibus”, conta.  Na ocasião, o dono do veículo procurou o motorista para rever o prejuízo.

“Os integrantes da comissão técnica pediram para eu ficar em silêncio”, brinca.

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