Fisioterapia & Saúde

O que está errado na Fisioterapia. Segundo Fisioterapeuta.

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Nas vésperas de 13 de outubro de 2010 o brilhante profissional fisioterapeuta  Paulo Henrique Palácio  fez o seguinte desbafo em seu blog: http://sinapseph.blogspot.com/

 Dia 13? Prefiro o dia 12, 20 e quem sabe um dia o 18!!!

Dia 13, dia de celebração?
Vejamos:

– Proliferação de cursos em instituições de ensino superior (???) sob a óptica exclusivamente capitalista.

– Para ingressar em um deles, basta fazer como o Tiririca: teoricamente não ser analfabeto (mas se for, não tem problema).

– “Acadêmicos” que no sexto semestre ainda acham que estão no 1° ano de um colégio e se comportam como se estivessem na 5ª série.

– Professores que presenciam junto aos alunos irregularidades ou falta de respeito com a profissão, mas não tomam atitudes, apenas sugerem covardemente que não levem em consideração tais fatos pois os mesmos são “normais” e “irrelevantes”.

– Colegas que ingressam em mestrados e doutorados para se tornarem mão de obra barata de pesquisas de médicos e farmacêuticos desenvolvendo a ciência deles e não a nossa. (a propósito, ela existe?).

– Desavenças sérias entre colegas de turma porque uns queriam a festa de formatura no La Maison e outros no Barbra’s.

– Jovens que fazem estágio ainda no 3° semestre em clínicas particulares da Aldeota recebendo oito reais por dia e ainda crêem que estão no caminho certo.

– Colegas que são coniventes com essa situação cuja culpa é apenas do conselho e dos planos de saúde, segundo eles.

– Se você chegar em uma dessas clínicas, verá que o tratamento da entorse do tornozelo à paresia decorrente de quimioterapia é o mesmo: TENS, gelo, infravermelho e ultrasom (a ordem depende do aparelho que estiver desocupado no momento. Então para que serve um curso de graduação? Um do senac já seria suficiente).

– Recém-formados ficam super felizes quando conseguem uma vaga para trabalhar de graça nas “equipes” que tomam de conta dos principais hospitais particulares da cidade.

– E quando um deles consegue um “emprego” de 40 horas semanais ganhando R$ 1.200,00, acha que já atingiu quase o topo da carreira e começa a se acomodar.

– Os cursos de graduação não formam profissionais, mas zumbis, alienados, pessoas fracas que não sabem enfrentar desafios.

– Cursos profissionais tornaram-se nicho de mercado e surgem bizarrices como aprender a utilizar um bambu ou aplicar CO2 pele adentro.

– Deputada federal reeleita (da categoria) cujo slogan é “tudo pelo social” consegue afundar uma das principais instituições que amparavam a saúde da população carente e “massacrar” seus colegas de profissão.

– Mesmo depois de 40 anos, mais da metade da população não conhece seu papel na saúde (e talvez na mesma proporção entre os próprios profissionais). Com todos esses fatos não seria diferente.

 Com tudo isso, quem sofre é a população que deixa de se beneficiar do potencial que pode ser oferecido pela profissão. E mais ainda, aqueles colegas que vestem a camisa da fisioterapia, mas que estão prestes a tirá-la devido ao calor de tanta mediocridade!!!

Portanto, o momento não é de festa ou de parabéns. Mas sim de “puxão de orelha”, reflexão e atitude.

Longa vida (ou sobrevida) à essa criança que nasceu pré-termo, à forceps, aspirou mecônio e ainda não consegue andar devido a uma PARALISIA CEREBRAL!!!

13 Comentários

  • Delano Mendonça Cerqueira disse:

    Adorei a postagem…
    Avassaladora, não deixou pedra sobre pedra.
    É isso mesmo, tem que colocar os pingos nos “is”, mostrar para os inocentes de plantão que tem gente de fibra, capaz de quebrar as amarras da hipocrisia e apontar as faculdades como responsáveis por esse caos intelectual, por isso eu nunca quiz ensinar em nem uma delas, porquê são todas fajutas! Apontar também que os que correm atrás de mestrados e doutorados apenas para arranjar empregos de capachos do ensino medíocre.
    E essas equipes que tomam conta de tudo que é UTI de fortaleza? Paulo tem razão total, apenas exploram os coitados dos recém formados e ainda são professores de faculdade.
    A deputada que teve uma expressiva votação, o PH tá cheio de razão, afundou a entidade que dirigia e ainda mandou banana pra fisio.
    Minha namorada fez o curso de bambuterapia e disse que aquilo nem a copeira lá de casa deve aprender e tem mais por aí, bizarrrrrroooooooo…..
    Agora eu gostei mesmo foi qdo o PH pergunta se a nossa ciência existe e que os alunos são iguais ao Tiririca!!!!
    é isso aí PH…tô comtigo 🙂
    Abs
    Delano M. Cerqueira

  • Marcelo Holanda de Castro disse:

    Acho que o conselho federal e regional são culpados sim…e devem tomar atitude frente a essa barbarie…

  • Ewertom disse:

    Muito bom o desabafo recheado de denuncias e puxões de orelha.

    Que muitos sigam o exemplo.

    Saudações.

  • Dr Henrique da Mota disse:

    O grande número de profissionais é um grande problema que deve ser resolvido, pois sempre prevalecerá a lei de oferta e procura. Com muitos profissionais, cairá o valor do profissional médio, mesmo que alguns sempre se destaquem com grande projeção profissional, intelectual e financeira.

    Nós, que tivemos experiência docente dentro da fisioterapia juntamente com os colegas Wiron, Jorge, Lotif, Meudo, vimos, infelizmente, que o nível cultural dos alunos médios está em queda livre. Isto também está ocorrendo em várias outras profissões da saúde, Medicina incluída. Isto é muito perigoso.

    Percebo, ainda, um movimento interessante dentro da fisioterapia, que não existe na Medicina: pós-graduações por instutos e cursinhos privados que faturam muito e ensinam bizarrices e inutilidades. Dá-se a impressão que cursar uma faculdade de fisioterapia é inútil. Isto não é verdadeiro, mas depõe contra a seriedade desta.

    Outro problema é a facilidade dos recém-formados em serem sensibilizados por modismos e charlatanismos como este negócio de Microfisioterapia, terapias esotéricas e companhia “ilimitada”. É bom ter cuidado com isto.

    Dr Henrique da Mota, MD
    Ortopedia e Cirurgia da Coluna

  • Milena Queiroz de Almeida disse:

    Concordo com dr. henrique.
    Eu já fiz um curso destes de microfisio e vou te falar, minha vontade foi processar o grupo que promoveu o curso.
    Absurdo total, sem noção, uma palhaçada…
    Agora estou em um curso sério , dentro da faculdade de Buenos Aires.
    Abs
    Ft. Milena Almeida

  • Luis Henrique Cintra disse:

    Parabéns ao amigo Palácio. Fico muito feliz quando vejo que não sou o único a abrir a boca para relatar a nossa realidade. O teor de sue post é muito consistente e com certeza nãop será em vão. Força sempre.

  • Walber Portela disse:

    Um dos principais problemas da fisioterapia que eu como acadêmico vejo é que quase toda semana vejo uma técnica nova e revolucionária de fisioterapia como forma de ganhar dinheiro e nós como acadêmicos como forma desesperadora vamos lá e abraçamos a técnica e pagamos uma fortuna onde por muitas vezes são infundadas ou seus resultados são manipulados, mascarando seus reais benefícios onde muitas vezes não os tem, ai onde o acadêmico cai no desperdício de tempo e dinheiro…
    Quem é sério e quem não é?
    O grito do acadêmico e de SOCORRO!!!

  • “Para [um fisioterapeuta] ingressar em um deles, basta fazer como o Tiririca: teoricamente não ser analfabeto (mas se for, não tem problema)”

    “Para que serve um curso de graduação? Um do senac já seria suficiente!)”

    “Os cursos de graduação não formam profissionais, mas zumbis, alienados, pessoas fracas …”

    “Cursos profissionais tornaram-se nicho de mercado e surgem bizarrices como aprender a utilizar um bambu ou aplicar CO2 pele adentro”

    CHAMOU OS PRÓPRIOS COLEGAS DE BURROS, DE NÃO MERECEDORES DE UM DIPLOMA DE NÍVEL SUPERIOR, DE ZUMBIS, DE ALIENADOS, DE MARICAS, DE BIZARROS, DE MERCANTILISTAS, E POR AÍ VAI.. O CARA FOI CRUEL!

    IMAGINEM SÓ SE EU DIGO ISSO!!! O MUNDO CAI, CAMARADA!

    Mas não resta a menor dúvida, que dito assim, como “mea culpa”, a coisa fica bem mais divertida! Desculpem o sarcasmo!

    Dr Henrique da Mota, MD
    Ortopedia e Cirurgia da Coluna

  • Wiron Correia Lima disse:

    Olá Walber.
    Acho que você foi meu aluno, na faculdade.
    Se me lembro bem, um excelente aluno e mostra sua maturidade com essa postagem.
    Realmente temos uma avalanche de técnicas que atraem os alunos e profissionais para seus cursos de formação. Não acho que isso represente a tão buscada evolução científica da Fisioterapia e me preocupa muito o afastamento do profissional/acadêmicos da compreensão clínica dos processos funcionais e aproximação dos mesmos do tecnicismo puro.
    Estamos deixando de nos preocupar com o DCF diferencial e partindo para a abortagem terapêutica programada. Por exemplo, o paciente que procura um fisioterapeuta, tem atendido seu anseio por assistência, mas não consegue, na maioria das vezes ter abordagens clínicas resolutivas, pois a mioria das condutas têm características ainda reabilitadoras e não cinesiológicas funcionais.
    Ser tratador de doenças/sequelas é muito diferente de gerenciar assistência específica na recuperação/promoção da saúde funcional.
    Abs

  • Sabrina disse:

    Olá, adorei a postagem e concordo!!!
    Quando ainda estava na graduação muitas vezes escutava os professores (MAIORIA) que no começo trabalhavam de graça, incentivando e alienando os alunos!!!
    É triste, o erro já começa desde a faculdade!

  • Jacques disse:

    É uma pena ver como anda a nossa profissão, que pode trazer muitos benefícios quando bem utilizada, mas a realidade é cruel com a mesma e a leva ao buraco que ao meu ver sem volta. A política mercantilista praticada pelos proprietários de clinicas que atendem por demanda através de planos de saúde, é um ultimato para a nossa Profissão. Me pergunto pela entidade responsável de fiscalizar e regulamentar a profissão, por onde anda? Será que realmente estão preocupados em ter a profissão ascendente ou apenas de enviar o boleto bancário no começo do ano? Espero que mudem sua postura em relação ao estagiário e a contratação irregular dos profissionais, que em muitas vezes são obrigados a aceitar trabalhar sem carteira assinada, sem vale transporte, resumindo sem qualquer que seja uns dos direitos trabalhistas. As clínicas praticam isso e todo mundo sabe, mas ninguem faz nada, fecham os olhos ou estão acomodados em não fazer nada e recebe o dinheiro sem precisar trabalhar. LAMENTÁVEL o rumo que a fisioterapia tomou no ambito de contratação dos profissionais.

  • PRISCILLA disse:

    CONCORDO PLENAMENTE COM O COLEGA DE PROFISSÃO.A FISIOTERAPIA HOJE ESTÁ BANALIZADA.OS PROFISSIONAIS NÃO SE VALORIZAM E NÃO BUSCAM OS SEUS DIREITOS.CHEGOU A HORA DE LUTARMOS CONTRA CLÍNICAS ,” EQUIPE “DE HOSPITAIS , CURSOS E MAIS CURSOS, INCLUSIVE DOCENTES CONIVENTES COM TUDO ISSO.É UMA VERGONHA! ONDE ESTÁ O NOSSO CONSELHO QUE TODO ANO ENVIA O BOLETO BANCÁRIO .SOMOS PROFISSIONAIS AUTÔNOMOS E NÃO DEVEMOS ACEITAR ESE COMANDO QUE QUEREM IMPOR EM HOSPITAIS DA CIDADE E SETORES AFINS. VAMOS ABRIR A BOCA !CHEGA DE MANIPULAÇÃO!

  • Nathalia P. disse:

    Vejo aqui na Resolução Coffito – 29, que “Estabelece NORMAS REGULADORAS COMPLEMENTARES DA FISCALIZAÇÃO do exercício profissional”, fala no Art. 1º que: “Cabe aos Conselhos Regionais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional promover, a partir de denúncias ou visita de inspeção, a apuração de infração disciplinar e a aplicação de penas cabíveis, nos termos do art. 7º., nºs. III e VII da Lei nº 6.136, de 12.02.75”

    Como vocês podem ver, não é necessária apenas uma denúncia, e pode ser realizada uma visita de inspeção.

    Alguém já viu essa “visita”?!

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