Fisioterapia & Saúde

Fisioterapia como aliada do bem-estar do paciente com ELA

Por : Daniel Xavier. UOL

Nas últimas semanas, a internet e as emissoras de televisão foram inundadas de vídeos mostrando celebridades despejando baldes de água com gelo sobre a cabeça. Essa ação, que a principio, parece uma simples brincadeira, faz parte de uma campanha para divulgar e levantar recursos para o tratamento de uma doença rara e ainda pouco conhecida, a esclerose lateral amiotrófica (ELA).

A ELA é uma doença degenerativa e irreversível, porém, existem casos e casos sendo que muitas vezes a pessoa vive tranquilamente por muitos anos, inclusive com lucidez, pois a doença não afeta as funções cerebrais. Infelizmente, ainda não é possível realizar o prognóstico da ELA.

Seu diagnóstico seria como um “balde de água fria”, por isso o gesto foi escolhido símbolo do projeto. A iniciativa, lançada em 29 de julho, tornou-se viral quando o dono do Facebook, Mark ¬Zuckerberg, aceitou o desafio de virar o balde de gelo na cabeça, e assim, desafiou mais três pessoas, uma delas o magnata da Microsoft, Bill Gates. A partir daí, mais de 28 milhões de usuários do Facebook aderiram à corrente.

O papel da fisioterapia na esclerose lateral amiotrófica começa antes de ter ocorrido qualquer perda significativa da força ou função, e continua durante toda a vida da pessoa com esclerose lateral amiotrófica. A fisioterapia envolve as seguintes tarefas: manter a flexibilidade articular normal da pessoa ou a amplitude de movimento, manter a força muscular tanto quanto possível, manter a função tanto quanto possível e diminuir a dor.

O fisioterapeuta atinge esses objetivos, avaliando o indivíduo regularmente e, com base nesses achados, instruindo o paciente e/ou quem assiste ao paciente a realizar exercícios apropriados, procurar equipamentos de adaptação e avaliar as necessidades das atividades de vida diária.

Nessa questão, existem dois problemas mais comuns na ELA. Ambos envolvem a perda da amplitude de movimento articular normal. Esses dois problemas são a capsulite adesiva da articulação do ombro e as contraturas de flexão do pescoço. A capsulite significa que o tecido conjuntivo que circunda as articulações se inflama, a causa habitualmente é a fraqueza muscular que resulta na perda de movimento de uma articulação.

Isso porque quando uma articulação do corpo não se movimenta dentro da amplitude normal durante um período apreciável, esse tecido conjuntivo torna-se menos elástico e maleável. Ele pode endurecer-se rapidamente (algumas vezes, dentro de dias), torna-se fibrótico e restringe o movimento.

Para tentar evitar isso, é necessário começar a ser ativo diariamente, com exercícios de movimento ativo assistido ou passivo (o membro é movimentado por uma outra pessoa) dentro da amplitude de movimento, antes que o paciente perca qualquer mobilidade. Diante dos primeiros sinais de fraqueza da musculatura do ombro, o paciente e o cuidador devem ser instruídos a realizar exercícios de flexibilidade (intervalo de movimento).

O paciente deve completar esses exercícios independentemente durante o maior tempo possível, deitando-se de costas e usando uma bengala para permitir que o braço oposto forneça a força.

Finalmente, se o paciente não puder mais levantar o braço, a pessoa que cuida deste paciente ainda deve movimentar suavemente a articulação do ombro dentro do intervalo disponível. É importante que o paciente e a família sejam orientados por um terapeuta a realizar os exercícios, de acordo com o método correto, porque pode ocorrer uma lesão real, se os exercícios forem feitos incorretamente. Em alguns casos, os familiares podem receber instruções sobre a mobilização suave da articulação.

O paciente com esclerose lateral amiotrófica se beneficia da intervenção de fisioterapia em todos os estágios da doença. Entretanto, é imperativo que cada paciente seja avaliado por um fisioterapeuta regularmente e que o tratamento apropriado seja iniciado antes que surjam complicações sérias.

*Daniel Xavier é doutor em Terapia Intensiva pelo  Instituto Brasileiro de Terapia Intensiva (IBRATI ), Coordenador-técnico da ala de Fisioterapia da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCECON)