Fora da Ordem

“Não é só estrutura que faz um Carnaval”, diz Silvero Pereira

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Silvero Pereira puxa o bloco com Rodrigo Ferrera (Foto: Mateus Dantas / O Povo)

Os cearenses Silvero Pereira e Rodrigo Ferrera puxam o Bloco das Travestidas, no Largo Luiz Assunção, em frente ao Centro Cultural Belchior, todo sábado até o dia 2 de fevereiro. Depois, a folia segue para o Mambembe com todo glitter e animação necessários. Mas nem tudo é festa. Em entrevista, os atores do coletivo As Travestidas falam sobre as dificuldades de fazer Carnaval em Fortaleza.

“Entrar no bloco, que é uma parada muito diferente do que a gente faz durante todo o ano, é outro ritmo, outro tipo de show. É uma experiência muito viva”, diz Rodrigo Ferrera, que no palco atende por Mulher Barbada. “Eu gosto muito de Carnaval, e agora comandar um junto com o Silvero é uma experiência muito divertida. É muito trabalho, é muita ralação. Acontece muita coisa na cidade, então a gente tem que se programar bem. Fazer tudo com calma, mas muito rápido também”.

Os artistas comentaram a emoção de ver a multidão na Praia de Iracema. “Nós estávamos emocionados vendo quase 3 mil pessoas ali no Largo Belchior, e num clima harmonioso, entre crianças, famílias, pessoas de todas as diversidades”, diz Silvero Pereira. “Com pequeníssimos casos de furto ou qualquer outro problema que se possa imaginar porque não é só As Travestidas, né? Foi um clima muito mais divertido”.

“A grande dificuldade que a gente ainda tem hoje é de que os blocos de pré-Carnaval ainda são blocos de muita guerrilha, muita resistência mesmo. Por mais que você tenha uma estrutura ali, os blocos não são pagos. Tem uma galera trabalhando ali, artistas, mas eles não tem nenhum apoio financeiro”, continua Silvero, que em 2017 foi destaque na novela A Força do Querer, e retornará à TV em março deste ano.

No último sábado, 20, o bloco enfrentou problema técnico que se estendeu da passagem de som até a apresentação, durante a noite. “Acho que tá faltando um pouco de entendimento que não é só estrutura que faz Carnaval. As pessoas que trabalham também precisam estar amparadas por isso”.

“Enxergo o Ceará como um dos maiores celeiros artísticos no País, mas ainda hoje a gente trabalha de uma maneira muito difícil. Seja em um bloco de Carnaval, nas outras questões artísticas. Os artistas são sempre os últimos a serem valorizados. Tá sempre se pensando na estrutura, na exposição de uma marca, mas as pessoas que estão ali lutando de verdade não estão sendo valorizadas”, finaliza o artista.

Rodrigo Ferrera é a Mulher Barbada (Foto: Mateus Dantas / O Povo)

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