Fora da Ordem

Luiza Nobel quer sobreviver com afeto e saúde mental em “Estamos Bem”

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(Foto: Camila Almeida)

“Lidamos com o pior, damos nosso melhor”. É essa a realidade que a cantora e compositora Luiza Nobel, de 27 anos, retrata em “Estamos Bem”, single de estreia da artista. Nas plataformas digitais desde o último dia 30, a canção foi produzida por Mahmundi, tutora da cearense no Laboratório de Música do Porto Iracema.

“Estamos Bem” conta com Zéis na guitarra, Glauber Alves no baixo, Ivan Timbó nos teclados e Beto Gibbs na bateria. A música chegou com lyric vídeo inspirado na estética nos anos 2000, em um universo visual criado com as artistas Marissa Noana e Dhiovana Barroso, do coletivo Terroristas del Amor.

Além de integrar a edição 2019 do Laboratório de Música da Escola Porto Iracema das Artes, Nobel foi vencedora do Festival de Música da Juventude de Fortaleza. Ainda no ano passado, cantou no Festival Elos, abrindo a noite para Elza Soares. Já no Carnaval em Fortaleza 2020 levou o show Baile Preto. Também neste ano, cantou no quilombo urbano Aparelho Luzia, em São Paulo, acompanhada pelo músico Zéis.

Ao Blog, Luiza Nobel fala sobre a música que abre sua carreira autoral e a oportunidade de trabalhar com a cantora e compositora carioca Mahmundi. Confira.

(Foto: Camila Almeida)

Fora da Ordem: Quando nasceu “Estamos Bem”?

Luiza Nobel: Nasceu exatamente no primeiro dia de Laboratório. A gente enfrenta muita coisa pra fazer a nossa arte. Eu tava muito feliz porque tinha entrado no Porto, mas vivia um momento pessoal complicado. Tanto que a letra começa mais pessimista, digamos, e encaminha para um refrão super solar, alegre. É uma composição minha. É muito legal ver a sua história musicada.

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FDO: E por que a escolha dela como single de estreia?

Luiza Nobel: Existem outras canções que a galera conhece mais, até. Mas “Estamos Bem” me captura num lugar que eu amo que é o reggae, e para mim o reggae é universal. É um gênero musical que escuto com bastante frequência. E estando nesse lugar de começo, de poder lançar e não tá fechada dentro de um gênero musical, e estar super aberta ao pop, afro pop, black music, R&B, trap, hip hop, que são gêneros que me acompanham há muito tempo e que agora tô podendo dar vida a eles nos meus shows. Escolhi começar pelo reggae e vão vir outras parcerias no mesmo gênero, apesar dos próximos lançamentos não serem do reggae. Acho que essa minha vivência no reggae vai ser bem intensa. Acredito que é um gênero musical universal, uma linguagem que chega muito nas pessoas.

FDO: De que forma “Estamos Bem” dialoga com o tempo que estamos vivendo?

Luiza Nobel: O refrão fala: “Lidamos com o pior / E damos o nosso melhor”. É muito esse momento atual em que estamos vivendo. Sobre lidar com o pior das situações e ainda assim tentar extrair o melhor. A nossa sobrevivência, nossos afetos, nossa sanidade mental. “Estamos Bem” é muito nesse lugar. E a gente não está bem porque a gente sempre teve bem, a gente está bem apesar de tudo. Se dizer bem não é um devaneio fora de contexto, mas é um desejo e um exercício porque a gente sabe que a sociedade é totalmente machista, racista, euro centrada, falocêntrica. E eu enquanto mulher negra, permanecer bem, tentar ficar bem dentro da sociedade, é muito difícil.

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FDO: Como foi trabalhar com a Mahmundi no Laboratório?

Luiza Nobel: Acredito que não é o que foi, mas é o que se é. A gente continua tendo um diálogo muito intenso. Fui pra São Paulo tocar no Aparelho Luzia, que é um quilombo urbano, um centro de apoio cultural à arte negra. Ela foi junto com a Tássia Reis. A Mahmundi produziu o single, que não era uma obrigação do processo, digamos assim, mas ela enquanto produtora quis assinar essa música. E isso é muito massa porque foi um desejo dela de tá aqui no período de gravação. Foi um tutora, mas uma profissional enquanto produtora muito competente, querendo entender onde a gente queria chegar com a música. Acredito que a gente chegou num lugar muito bom. Ela ficou muito feliz, eu também fiquei muito feliz. Tivemos uma masterização do João Lee que é uma pessoa que trabalha com grandes nomes, como Gloria Groove. A gente vai mostrar um trabalho bacana.

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FDO: O que fica desse aprendizado?

Luiza Nobel: É que sempre é um começo. Sempre vão vir coisas novas e que tem que se continuar. Já faz 10 anos que eu canto e meu primeiro single autoral solo chega nas plataformas digitais. É um novo start. E tô no processo de lançar coisas outras futuramente. Estar colocando o autoral no mundo, escrever essa história, é muito bom.

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