Plínio Bortolotti

O cerco aos comentários anônimos

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Vejo no blog de Tiago Dória que a rede de blogs Gawker Media mudou sua política em relação aos comentários. Está optando por ter menos comentários, mas com mais qualidade. “Prefere ter poucos e bons comentários a muitos ruins e sem relevância”.

Outra empresa, o Hulu, um dos sites de vídeos com maior crescimento no mundo, resolveu dar fim aos comentários anônimos, informa Dória. Nos fóruns e nas seções onde o usuário pode escrever uma crítica sobre um filme ou seriado, locais onde as discussões são muito polarizadas e pouco civilizadas (segundo o Hulu), será obrigatório a utilização do nome real. Nem username será permitido.

Abrir ou fechar

A polêmica sobre  “abrir ou fechar” existe desde os primórdios da internet. Nunca se chegou a nenhuma conclusão consensual ou majoritária. Mas se se observar os blogs mais sérios da internet se verá que há algum tipo de mediação. Eu entendo essa como a política mais correta.

Caso contrário, como já escrevi aqui uma vez, as portas ficam abertas aos cachorros loucos da internet, prontos a estraçalhar a primeira presa que se lhes apareça pela frente, isto é, quando não reza pelo catecismo da matilha.

Eu penso que isso vai caminhar no mesmo sentido do “cobrar ou não cobrar” pelo conteúdo. Chegar-se-á a uma espécie de “caminho do meio”.

Hoje, tudo é “grátis”, mas as empresas estão vendo que esse modelo não é sustentável. Já há um movimento sério na direção de se oferecer uma parte das informações gratuitamente, cobrando-se por outras.

No caso dos comentários, os blogs, sites e portais mais sérios, também vão achar um modo de, sem construir uma cerca intransponível, não deixar a porteira a aberta a qualquer maluco que queira usar a rede como uma caixa de descarga para despejar suas frustrações.

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4 Comentários

  • Lima disse:

    Olah,

    acho a discussao interessante e concordo que nao serah possivel obrigar todo mundo a se identificar inequivocamente.

    Eu, exemplo, tento respeitar os comentarios alheios, inclusive os quais acho ofensivos. Mas nao vou me identificar. Nao quero nenhum possivel empregador fucando na internet as minhas posicoes politicas.

    Uma certa vez um determinado blogueiro de determinada revista escreveu um artigo na Folha. Aih alguns leitores reagiram e discordaram dele. O referido blogueiro pesquisou na internet onde havia comentarios em que essas pessoas se identificaram e escreveu um post acabando com as pessoas. Simplesmente as humilhou num portal com milhoes de cliques por dia sem ter que se dar ao trabalho de defender sua posicao. Nao cito o nome pq nao achei mais o link. Mas eu mesmo li o post.

    Hoje em dia, se alguem googla o nome completo dessas pessoas, encontra o que disse o referido blogueiro sobre a pessoa.

    A internet nao esquece nada. Fotos constrangedoras… Opinioes mal explicadas…

    Eu nao vou me arriscar. E sugiro que ninguem o faca.

    Abracos,

  • Lima disse:

    Achei!

    Depois de um certo trabalho, achei o link sobre o post a que me referia.

    Quem quiser saber de quem eu falava clique abaixo:

    http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/alo-folha-s-paulo-aparelharam-painel-leitor-aqui-esta-prova/

    Abracos,

  • Lima disse:

    Pra esticar o assunto, vou dar o exemplo vindo do outro extremo do espectro político:

    Certa vez o sujeito com o mesmo pseudonimo que o meu escreveu um comentário em que colocava em dúvida, realmente nao mais que isso: colocava em dúvida a versao da moca que se disse atacada na Suica. Vejam

    http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/02/12/o-caso-da-brasileira-torturada/?cp=1

    O sujeito nem mesmo afirmou que achava que a moca tava mentindo.

    Eram dois dias antes de ela confessar. Ninguém na imprensa brasileira havia ainda ousado duvidar da moca, como era a sua obrigacao. Os comentaristas mais apressados trataram de ofender o sujeito da maneira que lhes veio `a mente. Desejaram-lhe econtros com skin-heads, especularam sobre a cor de sua pele e sua coloracao política. Leiam lá, se tiverem estomago.

    Agora imagine que ele tivesse colocado o nome completo e a moca tivesse sido mesmo atacada!! Com o nome dá pra ver se o sujeito passou no vestibular ou em qualquer concurso público. Daí até o email institucional é um passo….

    Eu nao sou jornalista. Eu nao sou pessoa pública. Tenho mais é que me defender desse mundao de gente doida.

    Abracos,

  • Hildeberto disse:

    Com relação ao trexo “Hoje, tudo é ‘grátis’, mas as empresas estão vendo que esse modelo não é sustentável. Já há um movimento sério na direção de se oferecer uma parte das informações gratuitamente, cobrando-se por outras.”, recomendo a leitura do livro “Free” de Chris Anderson. Ele mostra exatamente o contrário da opinião em questão, que o modelo free é o que está realmente em ascessão

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