Plínio Bortolotti

Fortaleza, cada vez mais, a terra de ninguém

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Praça Portugal. Foto: Evilázio Bezerra

Praça Portugal. Foto: Evilázio Bezerra

A Fortaleza, terra de ninguém está cada vez mais evidente. A edição de hoje do O POVO traz três exemplos do descaso com que cidade vem sendo tratada pela “autoridades constituídas”.

Fortaleza tem 110 mil imóveis abandonados [da repórter Yanna Guimarães], Praça Portugual vira “casa” para moradores de rua [de Ana Mary C. Cavalcante] e Coopistas fazem campanha para tirar ciclistas do calçadão [da Beira Mar, de Larissa Lima] revelam o verdadeiro abandono a que está submetida  Fortaleza, uma cidade sem pai e muito menos mãe.

O traço comum das reportagens é a desculpa esfarrada dos órgão responsáveis da Prefeitura para cada uma das situações, que se prolongam no tempo. A resposta é sempre a mesma é já-já que se resolve, o que fica só na conversa.

O tempo da Prefeitura parece não ser o mesmo que corre para os cidadãos comuns, que têm de enfrentar dezenas de situações hostis em seu cotidiano; situações que um mínimo de senso administrativo resolveriam sem muito problema.

Conversa jogada fora

Vamos ver as “explicações” das autoridades responsáveis, começando pelos imóveis abandonados:

«De acordo com Eduardo Alexandre da Silva, chefe da fiscalização de controle urbano da Secretaria Executiva Regional (SER) II, quando existe uma denuncia ou é detectada uma invasão, bicho ou qualquer transtorno à população, um fiscal é encaminhado a área. “Se o proprietário for identificado, a gente notifica para que ele resolva o que puder”. A SER pode recorrer também ao IPTU para identificar o dono. [Ôrra, quer dizer que é preciso uma “denúncia” para verificar o que uma repórter viu dando uma pequena voltinha pela cidade?]

“Não podemos interferir porque é propriedade privada. Se tivéssemos recursos, poderíamos murar o terreno ou tomar alguma outra providência e cobrar do proprietário na dívida ativa. Mas não há recursos”, conclui Eduardo.» [A Prefeitura pode ou não pode intervir? Pelo que a “autoridade” diz, não pode; mas se tiver dinheiro pode. Como é que é isso? A mais, como informa a matéria, o art. 44 do Código de Obras e Posturas, em caso de obra paralisada por mais de 180 dias, a Prefeitura pode, inclusive, demorlir o imóvel se esse trouxer risco à população.]

Praça Portugal:

«Até o final deste ano, a Praça Portugal deve estar limpa. O titular da

Prédio Abandonado na av. Antônio Sales. Foto: Talita Rocha

Prédio Abandonado na av. Antônio Sales. Foto: Talita Rocha

Regional II, Francisco Humberto de Carvalho Júnior, anuncia uma reforma no logradouro, em parceria com o grupo do empresário Pio Rodrigues. A iniciativa privada se compromete, antecipa o secretário, a manter a praça após a reforma. “Já garanti, com a AMC, a fonte funcionando e uma nova iluminação”, complementa Humberto de Carvalho.» [A Prefeitura sempre tem uma resposta na agulha, isto é, na ponta da língua, mas fica só nisso mesmo. Vamos esperar o fim do ano duvido que se cumpra. ]

Na Beira Mar:

«A assessoria de imprensa da Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania de Fortaleza (AMC) informou que as ações de organização do trânsito na Beira Mar estão sendo realizadas em conjunto com o projeto de reordenamento da Secretaria Executiva Regional II, que incluiu a retirada dos ambulantes. Além disso, os agentes do órgão estariam presente na avenida nos horários de maior movimento, pela manhã e no fim da tarde.» [Rapaz, esse problema dos ciclistas circulando pela calçada não é de hoje não; faz é tempo – de repente, aparece a solução: por que nada foi feito antes?]

Tráfego de bicicletas no calçadão da Beira Mar. Foto: Edimar Soares

Tráfego de bicicletas no calçadão da Beira Mar. Foto: Edimar Soares

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