Plínio Bortolotti

Na Fortaleza terra de ninguém, o que era para ser belo vira obstáculo para o pedestre

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Observe o trecho próximo ao carro: jardim impede que o pedestre continue pela calçada: e qual é o problema do caminhante andar no meio da rua? Quem manda não ter uma Hilux?

De uma leitora – referindo-se a um trecho da av. Senador Virgílio Távora, entre as ruas Canuto de Aguiar e República do Líbano – recebi o texto e as fotos:

«Podemos perceber que é muito comum em Fortaleza os carros terem prioridade em relação ao

Veja o vaso atrapalhando o pedestre e os bancos, usando o espaço público, nos quais só clientes podem se sentar: ah, Aldeota, terra dos bem-nascidos

pedestre. As fotos são bem claras. A calçada é interrompida para beneficiar estacionamentos de algumas lojas. O pedestre para caminhar com segurança é obrigado a desviar seu percurso e passar em frente das lojas, caso contrário corre o risco de atropelamento dos carros na Avenida e os que usam o estacionamento das lojas.

Se ele continuar seu percurso sem fazer o desvio, vai se deparar com um jardim onde piora tudo, não sobra nenhum espaço para o pedestre, só pisando na grama, ou continuar caminhando na avenida, bem próximo aos carros.

Imagine um pedestre que vem caminhando com peso, como por exemplo, compras de supermercados. Vale ressaltar que existe a presença de um segurança das lojas, que observa tudo com olhar de reprovação tentando intimidar os pedestres.

Continuando o percurso, a calçada continua deslocada priorizando as lojas e os carros, e vão mais além, usam a calçada como propriedade particular, colocando bancos para os clientes das lojas. Não é permitido que pessoas que não sejam clientes utilizem os bancos.

A constatação é que a locomoção a pé em Fortaleza o pedestre fica completamente vulnerável, a acessibilidade e mobilidade é pensada e executada pela falta de bom senso dos empresários. Os pedestres que se danem, que fiquem expostos a acidentes, enquanto o conforto dos clientes é a prioridade.»

Comentário

Como podem ver, até os jardins, que poderiam tornar mais bela Fortaleza, transformam-se em obstáculos para dificultar a vida os pedestres.

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3 Comentários

  • Luis Ernesto disse:

    Plínio,

    O recuo da calçada para estacionamento é permitido, sendo inclusive uma exigência para pontos comerciais que precisam destinar parte do terreno a estacionamento de veículos. Isso, desde que a calçada contorne o espaço destinado aos veículos. Assim, na primeira foto, está tudo na mais perfeita normalidade.

    Contudo, com relação ao jarro e bancos, concordo com a leitora. Os mesmos atrapalham a circulação dos pedestres, sem falar que a loja se apropria do espaço público ao permitir que apenas os clientes usem os referidos bancos.

    Abraços,

    Luis Ernesto

    • pliniobortolotti disse:

      Caro Luís Ernesto,

      Sei que o estacionamento em recuo é permitido (apesar de achar que a grande maioria deles não deveria ser autorizado, pois atravancam o trânsito). O que me pareceu estranho no caso foi que, v. pode observar, o jardim interrompe a passagem do pedestre que prefere usar o espaço atrás dos carros para caminhar. E, aí, tenho dúvida se o modo como foi feito o recuo é correto.
      Quanto à apropriação pura e simples do espaço público é uma aberração que deveria ser combatida com rigor.

      Agradeço a leitura e o comentário,
      Plínio

  • Poluição Não disse:

    Já ouvi falar, certa vez, que o recuo é permitido pelas leis de trânsito, já que não prejudica o pedestre.
    Quanto a colocação de bancos, realmente é um absurdo. Nestas situações, eu sempre fico a imaginar como um cadeirante iria passar por caminhos como estes. Lamentável!

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