Plínio Bortolotti

Halder Gomes: “Minha religião é o cinema”

A partir da esquerda: Pedro Rocha, eu, Halder Gomes e Sander Cruz (clique para ampliar)

A Entrevista Aberta, no Espaço O POVO de Cultura & Arte recebeu ontem (19/4) o cineasta Halder Gomes. Produtor de “Área Q” (em cartaz), filmado em Quixadá, diretor de “Cine Holyúdi: O astista contra o caba do mal” e de “Loucos de Futebol” (no qual declara a sua paixão pelo time do Fortaleza), Halder Gomes é um bom papo.

Kung fu

Nascido em Senador Pompeu, apaixonou-se por artes marciais quando criança, vendo filmes de kung fu em sua cidade natal. Tornou-se lutador de taekwondo, dono de academia, até mandar-se para Los Angeles para atuar como dublê em filmes de luta. Aprendeu o que podia em artes cinematográficas e voltou a Fortaleza para aplicar seus conhecimentos, construindo uma filmografia cearense.

Pois bem, algumas frases que anotei na conversa, por mim mediada, e da qual participaram Pedro Rocha (jornalista do O POVO) e o sociólogo e professor da UFC Sander Cruz.

Frases

♦  “Minha religião é o cinema.” (Respondendo à pergunta se seguia alguma religião devido ao filme “As mães de Chico Xavier, dirigido por ele.)

♦  “Minha senhora, pelo amor de Deus, eu sou um pecador.” (Alertando as pessoas que queriam tocá-lo, após ver a apresentação do filme “As mães de Chico Xavier”, comportamento que, diz, o deixava “impressionado”.)

♦  “Seus quadros são como takes de filmes, dá impressão de que se você disser ‘ação’, os personagens vão começar a se movimentar.” (Sobre Johannes Vermeer, pintor holândes do século XVII, que influencia o seu cinema; Halder também é artista plástico.)

♦  “Num set de filmagem você nunca pode cruzar o seu olhar com o do ator.” (Comentando sobre a intensa concentração exigida para o ator incorporar as emoções necessárias para bem atuar.)

♦  “Regional é só daqui pra lá? O carioca não é regional? A gente tem de quebrar essa barreira, se não vai ser sempre essa frescura.” (Sobre a insistência dele em filmar no Ceará, em utilizar o “cearensês” e, do hábito de os produtores quererem pregar carimbo de regional em seus filmes.)

♦  “O cinema pode ser a plataforma de lançamento de um lugar.” (Falando sobre o motivo de insistir em locações no Ceará. E lamentando pelo fato de os governos ainda não terem descoberto que isso pode ser uma fonte de renda para o estado.)

♦  “Quero chegar aos 100 anos fazendo filme, como o Manuel de Oliveira” (Quando lhe foi pedido para dizer algo que nunca dissera, fez referência ao cineasta português Manuel de Oliveira que, com 103 anos, continua na ativa.)

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