Plínio Bortolotti

“Novo-riquismo rastaquera”: estrelando Sérgio Cabral e Demóstenes Torres

Meu artigo publicado na edição de hoje  (3/5/2012) do O POVO.

Foto de Drawlio Joca, na Chapada do Araripe (clique para ampliar)

Novo-riquismo rastaquera
Plínio Bortolotti

Talvez não devêssemos mais nos assombrar com o quanto alguns políticos conseguem rebaixar a sua atividade – não apenas se aproveitando do cargo para adquirir benesses -, mas também freqüentando o submundo (ou seria o “alto mundo”?) da criminalidade.

Porém – a par de ver isso desvelado de forma crua nos telefonemas entre o ainda senador Demóstenes Torres (ex-DEM) e o seu amigo Carlos Cachoeira, cognominado “empresário” –, é vergonhoso observar o exibicionismo de novo-rico, o deslumbre causado pelo dinheiro, a hipnose pelo poder, e a sensação de que tudo lhes é permitido.

Para isso também contribuíram os vídeos e fotografias que registraram viagem do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), a Paris, acompanhado de comitiva, na qual estavam Fernando Cavendish (dono da Delta Construções, enrolada no episódio Cachoeira), o secretário da Saúde do Rio e suas respectivas mulheres. (http://migre.me/8VfNp)

Em algumas gravações, Demóstenes conversa animadamente sobre vinhos, ao preço de R$ 3 mil (uma garrafa), comenta outros rótulos caros; por fim manda o interlocutor comprar algumas unidades com o cartão do “nosso amigo” (Cachoeira). Em outras pede presentes caros do exterior ao “amigo”, afirmando que resolveria qualquer problema na alfândega.

Por sua vez, a confraria de Cabral esbalda-se em restaurantes de luxo na Europa, fazendo algazarra típica de adolescentes. Filmam-se, fotografam-se, riem alto, amarram guardanapos na cabeça, fazem “dancinhas”. As mulheres exibem para as câmeras sapatos de marca, que saem pela bagatela de R$ 10 mil o par. Comportam-se assim, certamente, para cumprir um dever cívico de confirmar a imagem de “povo alegre” que o brasileiro tem no exterior.

(A propósito: o novo-riquismo é bancado com dinheiro público, por vezes; por outras com recursos de fontes obscuras.)

Será que é destino do brasileiro ser representando por gente assim? É de causar náuseas.

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