Sincronicidade

O dia-a-dia de Maria

A visitação de Maria é uma visita de amizade e serviço.  Encontro cheio de mistério e da alegria de Deus. Porque – e a vida de Maria nos ensina a cada instante – os grandes mistérios de Deus se realizam através da banalidade quotidiana de toda a vida humana. Porque Maria leva em seu corpo Jesus (que ela concebeu em seu coração e em seu corpo), a visita que ela faz a sua prima toma um novo sentido. A alegria que a inunda é a alegria dos tempos messiânicos, essa alegria na qual os cristãos celebrarão mais tarde o festim eucarístico, a alegria que encherá a terra por ocasião da segunda vinda de Cristo.

Irmão Marie Leblanc

[Irmão Marie Leblanc. O dia-a-dia de Maria. Tradução de José Joaquim Sobral. São Paulo: Editora Ave-Maria, 2005, p. 31. (Série Virgem Maria; 7)]

No último volume da Série Virgem Maria, publicado pela Editoa Ave-Maria, que vínhamos comentando nos últimos sábados, o autor, Irmão Marie Leblanc, escreve sobre o quotidiano da Virgem Maria. O livro se divide em sete partes: I – A origem de Maria; II – Antes do nascimento de Jesus; III – Os acontecimentos do nascimento; IV – Os longos anos da vida obscura de Jesus; V – O ministério público de Jesus; VI – A passagem pascal: Paixão e Glorificação de Jesus; VI I – Maria na vida da Igreja. Por fim, em “Para aprofundar o assunto”, o autor sugere uma pequena bibliografia.

Depois de perpassar temas como os dogmas marianos, o Magnificat, o papel de Maria como mãe na história da Igreja, a coleção conclui com um tema que poderia parecer trivial: o quotidiano. No entanto, conforme as palavras do autor, esse quotidiano, ao contrário do que se poderia supor, está eivado de um sentido todo especial para o crente, uma vez que “os grandes mistérios de Deus se realizam através da banalidade quotidiana de toda vida humana”.

Para que estes mistérios se realizem, porém,  é necessário apenas a aquiescência do ser humano . Nesse aspecto, o quotidiano de Maria é paradigmático, uma vez que, ante o anúncio feito pelo Arcanjo Gabriel, enviado por Deus, de que ela fora escolhida para ser a mãe do Redentor, em nenhum momento hesitou em dizer sim à vontade divina. A propósito, escreve o autor:

“Maria dá seu consentimento, permissão que Deus pede sempre ao homem para cumprir sua obra de salvação; porque Deus, que realiza sozinho nossa salvação, pede, no  entanto, a cooperação de nossa vontade livre; criou-nos livres para irmos até ele. No caso presente, a resposta de Maria tem um alcance essencial; São Bernardo evocou com bastante lirismo, como todos os seres ficam estupefatos diante do consentimento dessa jovem mulher. Eis aqui a serva do Senhor; a serva não é a doméstica; o termo demonstra facilmente uma atitude de amor: a esposa se diz serva de seu esposo. Faça-se em mim segundo a tua Palavra; é a passividade ativa daqueles que se deixam conduzir pelo Espírito Santo (p. 24). Gostei bastante da ideia aqui expressa por Irmão Marie Leblanc: a suposta passividade de quem se deixa conduzir pelo Espírito Santo é, na verdade, uma passividade ativa, pois, impelido pelo sopro do Espírito, a pessoa age.

Na última parte do livro, Irmão Marie Leblanc explora não mais o quotidiano de Maria vivido no dia-a-dia de sua vida terrena, mas já em uma outra dimensão, entre os eleitos, ela, que fora a eleita por excelência. Assim manifesta-se o autor sobre o assunto:

“Maria vive agora na comunhão de todos os santos o que ela viveu na comunidade dos discípulos durante sua vida terrena. (…) Ela percorre conosco os caminhos do êxodo e da perseguição. Como em Caná, quando não temos mais vinho, mais alegria espiritual, mais força, ela intercede por nós junto de Jesus e nos sugere que façamos tudo o que ele nos diz. Por seu intermédio, entramos na Aliança com aquele que se manifestou como Esposo da Igreja” (120).

E conclui, com palavras alentadoras: “Do mesmo modo em que ela se encontrou aos pés da cruz de Jesus, ela permanece junto de nós em nossos sofrimentos e na morte terrena de cada um de nós. E assim como ela recebeu João como seu filho, ela nos recebe como filhos seus” (p. 121).

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