Artesanato da Mente

Devemos aparar as arestas e bordas do nosso coração

Muitas vezes as palavras mais simples e as reflexões mais singelas são as que mais tocam o nosso coração. Estou escrevendo esse texto com um nítido sentimento de tristeza em relação ao desenrolar das campanhas políticas no Brasil e bem próximo das eleições de 1º turno (05/10/18). Quero deixar você amigo leitor situado, caso esteja lendo esse texto um tempo depois.

Li algumas palavras da querida escritora Elizabeth Mattis-Namgyel, autora do belíssimo livro “O poder de uma pergunta aberta”, e que me deixaram bastante reflexivo a respeito desse período histórico que estamos vivenciando.

Farei uma breve reflexão a partir delas. Leia com bastante atenção!

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“Quando nosso coração se parte, é porque ele tinha arestas e bordas. Quando algo doloroso acontece, ele não tem para onde ir, então se rompe. Mas a tristeza pode crescer e amolecer nosso coração, se deixarmos. Um coração pequeno não consegue aguentar muita coisa, mas um coração grande pode aguentar muito mais. Nosso coração pode, de fato, crescer para se tornar ilimitado e dar conta de tudo o que surgir na vida, até mesmo as experiências mais dolorosas.”

Elizabeth Mattis-Namgyel

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Essas são palavras de uma profundidade incrível. Logo na primeira frase ela já define pela etimologia a palavra CORRUPÇÃO. Ela significa “coração rompido” => COR + RUPT.

Em outras palavras, com toda sua sutileza, ela está mostrando que existem corrupções dentro de cada um de nós, em maior ou menor grau. Não é fácil admitirmos isso porque temos muito orgulho entranhado em nossos corações. Você sabia que algo corriqueiro e simples como por exemplo tratar com indiferença um garçom que com toda gentileza lhe traz um prato num restaurante já é um exemplo de corrupção? Sim! Porque você não está nessa hora conectando o seu coração com o do garçom, que espera no mínimo receber um obrigado após entregar o prato!

Venho insistindo a bem mais tempo do que o período das campanhas eleitorais que o que mais tem agravado toda essa situação de ódio e descaso pela coletividade no nosso país tem origem num comportamento altamente destrutivo, o EGOÍSMO.

É o egoísmo que leva milhões de brasileiros a acharem que “bandido bom é bandido morto”. É o egoísmo que leva à perpetuação de ideias machistas como a de que mulher deve ganhar menos do que homem porque engravida. Também é o egoísmo que cega a empatia e faz pensar que um homossexual o é porque não apanhou quando era criança…

Também é o egoísmo que leva outros milhões a pensarem que com a liberação das armas haverá uma maior ordem social! Já pensou que ideia mais absurda! Como alguém consegue pensar assim?…

Com liberação das armas para o povo em geral o que haverá é uma matança de proporções avassaladoras, muito mais do que até a 2ª Guerra Mundial conseguiu enumerar!

Enfim! Digo e continuarei repetindo que tudo começa com o egoísmo.

Precisamos aparar as arestas e bordas do nosso coração. Você sabia que existe uma reflexão filosófica maravilhosa sobre a figura do CÍRCULO e da ESFERA? Segundo filósofos antigos como Platão e muitos de seus discípulos, o círculo é a figura plana mais perfeita e a esfera o sólido mais perfeito. E por quê? Por um motivo muito simples. TODOS ESTÃO EQUIDISTANTES DE UM CENTRO COMUM…

Nossa humanidade tem um centro comum, mas ele está corrompido. Transformamos a esfera que é o nosso planeta numa espécie de “cubo” repleto de arestas.

Olha que reflexão bacana! Percebe que muitas vezes quando alguém tem uma visão considerada “tapada”, sem amplidão, dizemos assim: “Nossa! Mas que pessoa quadrada…”.

Quadrada porque está repleta de arestas e bordas. Círculos e esferas não têm essas arestas, logo são figuras com uma harmonia maravilhosa.

Os filósofos sabiam disso há mais de 2300 anos. Por que ainda não conseguimos compreender isso em pleno século XXI?

Eu estou cada vez mais aparando as minhas arestas e bordas e venho com esse texto ajudar a despertar em você um pouco desse desejo por fazer o mesmo.

É uma ilusão acharmos que o Brasil vai melhorar se entrar o Bolsonaro como presidente, ou o Haddad, ou o Ciro, ou seja lá quem for. Errado! O Brasil vai melhorar quando cada um de nós trabalhar dentro de si o egoísmo e passar a olhar a dor do próximo com olhos mais amorosos.

Estamos todos sofrendo. Essa é a nossa base comum, como comentei no texto da semana passada [link aqui]. Se estamos todos sofrendo, o caminho para cessar o sofrimento é um só. Estamos todos na superfície dessa esfera chamada planeta Terra, num trechinho pequeno chamado Brasil, e precisamos olhar para esse centro. Obviamente não se trata do centro do planeta Terra que só tem lava e ferro fundido. Estou falando do centro chamado generosidade, amor, partilha, empatia, desprendimento, amizade, companheirismo etc etc.

Que o seu coração se torne ilimitado e, como ensina a querida Elizabeth Mattis-Namgyel, ele consiga ajudar você a superar até as dores mais agudas.

Apare as suas arestas e bordas! Tenha coragem para isso. Assim você estará iniciando uma verdadeira revolução coletiva!

Paz e luz…

 

 

 

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