Discografia

Dá-lhe, Simone

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Existem várias formas de se começar um show. Pode começar lento e ir ganhando animação no decorrer da apresentação. Pode começar agitado para já ir animando o público até que entre o momento de puxar o freio. No caso do novo espetáculo de Simone, ela preferiu algo mais simbólico e entra no palco ao som de Tô que Tô, como pode ser conferido ontem, repetindo hoje, no palco do Theatro José de Alencar.

 A canção, composta pela dupla gaúcha Kleiton e Kledir e gravada por Simone no disco Corpo e Alma (1982), funciona quase como um manifesto quando ela anuncia sorridente “Eu tô que tô! Eu tô que tô!”. De fato, aos 60 anos, 37 deles dedicados à música, ela exibe um invejável preparo físico – onde se inclui uma barriga tanquinho – e fôlego para animar um show de quase duas horas para uma casa de espetáculos lotada de fãs que não perdem uma oportunidade de aplaudir, gritar e elogiar a cantora. Não por acaso, ela batizou o novo trabalho, lançado recentemente em CD e DVD  gravados ao vivo (Biscoito Fino), de Em boa companhia.

 “Sou uma menina sexy, sexagenária, e estou caminhando para a melhor safra de vinho, 61 anos”, brinca Simone durante um jantar com a imprensa, após um show em Natal (RN) na noite do último sábado. “Mas não me sinto com essa idade. Tenho elasticidade, mobilidade” e explica sua energia dizendo que, mesmo afastada há alguns dias, costuma praticar esportes diariamente, como ginástica, caminhada e “levantar uns pesinhos”. Embora sempre lembrem que ela foi jogadora de basquete, ela acrescenta que adorava praticar todos os tipos de esporte e sempre se dava bem em todos.

Simone tem 1m80cm, se veste de forma simples e fala exibindo muita segurança. A cabeleira, novamente longa e volumosa, apresenta alguns fios brancos, que ela parece assumir sem problemas. Apesar de uma indisposição ocasionada por algum alimento que não lhe caiu bem, Simone conversou por mais de duas horas sem demonstrar pressa ou incomodo. Entre os temas, seu prazer em cozinhar (Milton Nascimento é um dos seus fãs), hábitos alimentares (optando pelo mais simples, ela escolheu apenas um penne no azeite com manjericão e queijo ralado) e planos futuros (ela tem vontade de gravar um novo disco de sambas, mostrando as diferenças de estilo de acordo com a região). Sétima entre nove irmãos, ela também lembrou sua estreia na música, quando ainda bem pequena inventou de cantar em espanhol num parquinho de Salvador para ganhar ingressos para brincar, principalmente, na autopista.

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Já entrando pela madrugada, Simone comentou sua satisfação com a resposta que tem recebido pelo novo show, que considera como um show “pesado” por conta do tamanho e das emoções que ele provoca. Acompanhada de Cristiano Galvão (bateria), André Siqueira (percussão), Julinho Teixeira (teclados e acordeão), Walter Villaça (guitarra e violão) e Fernando Souza, ela enfileira canções de várias épocas, desde Face a face até a balada Migalhas, lançada no disco Na veia. Ao todo, são 24 músicas que podem mudar de acordo com sua vontade. “Sou inquieta. Nunca seguro um roteiro por mais de dois dias”, explica. Ao que parece, as mudanças pouco incomodam o público que assiste atento, grita aplaude e vai embora com um sorriso no rosto cantando “descobri que te amo demais”.