Discografia

Fãs comentam os 75 anos de Paul McCartney

Já se vão quatro anos desde que Paul McCartney apresentou sua turnê Out There em Fortaleza. Mas a sensação é de que ele não foi embora da Cidade desde então. Parece idolatria (e é!), mas desde que o nobre compositor inglês passou pelo Castelão, só cresceu a admiração e o respeito por canções que extrapolaram o mundo da arte e invadiu a vida das pessoas.

Logo, o Vida&Arte não poderia deixar de homenagear Paul McCartney pelos seus 75 anos, celebrados amanhã. Convidados pelo caderno, cinco fãs contam de que forma o baixista do quarteto inglês afeta suas vidas, como ele os inspira e emociona.

E trata-se de uma emoção que não tem prazo de validade. Isso por que Paul McCartney já está a caminho do Brasil novamente. Serão quatro shows em outubro, passando por Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte e Salvador. Na bagagem, canções que vão do último disco (New, 2013) até os as muitas histórias dos tempos de Beatles e Wings. Histórias sem tempo e que pertencem a multidões.

https://www.youtube.com/watch?v=0SB3x6KtNi4

> Ricardo Kelmer, escritor
Guardo de Paul McCartney dois momentos especiais. Um é o show em São Paulo em 2010, no estádio do Morumbi, em que eu estava presente, com minha mana Luce e meu cunhadão Nino. Fiquei tão encantado que só depois é que caiu a ficha: putz, eu tava diante de um Beattle… O outro momento foi assim meio estranho. Eu tava com uma garota vendo um show dele pela tevê e quando ele cantou The long and winding road eu comecei a chorar, e não entendia o motivo, e a garota muito menos, era eu chorando e querendo explicar que aquilo nada tinha a ver com outra mulher, mas quando atentei pra letra, percebi que podia ter a ver sim, e ela sem jeito me oferecendo guardanapo de papel… Bem, pra concluir: não teve mais clima. Paul, você é meu empata-soda preferido.

https://www.youtube.com/watch?v=W9yyLsPXmjE

Cynthia Fortuna, jornalista e cantora
Paul McCartney é sempre muito inspirador! Este jovem senhor, que completa 75 anos, é minha fonte inesgotável do que é ser artista. Sua carreira se reinventa a cada ano e com mais força. No palco, demonstra seu amor pelo que faz e assume a responsabilidade de emocionar o mundo com suas letras e melodias, as quais já são o seu legado para a humanidade. Logo, torna-se eterno, para deleite das passadas, atuais e futuras gerações. Nova temporada, novo álbum, novas ideias, perfomances com shows frenéticos, perfeccionismo e respeito ao público. Paul chegou aos 75 anos com toda essa juventude e vitalidade! Quando canto com meus parceiros Claudio Escudero e Augusto Milagro (faço um tributo acústico à obra dos Beatles e respectivas carreiras solo – Projeto TriBeatles), tenho o Macca como estímulo e espelho. Eu já o vi seis vezes no palco e sei o que digo. Ele é, em minha opinião, o artista mais importante do século XX quiçá, XXI! Long live, Sir Paul McCartney! They say it’s your birthday! Happy Birthday to you!

https://www.youtube.com/watch?v=2_9QooYDYtU

Kildare Rios, baixista e vocalista da Rubber Soul
Hoje em dia falam que os quarenta são os novos trinta e que os cinqüenta são os novos quarenta, não é? Mas o que dizer de um cara que sobe aos palcos para tocar quase três horas de rock and roll com setenta e cinco anos de idade? E o que mais dizer desse mesmo cara que faz questão de fazer um outro show, no mesmo dia, de noventa minutos, na passagem de som? Ele gosta muito do que faz e por isso faz bem feito, e por isso é tão longevo. Paul McCartney chega aos setenta e cinco com um corpinho de quarenta e a alma de vinte e poucos anos. Lenda viva é pouco para aquele que ensinou muita gente a tocar, cantar e pensar junto com seus eternos companheiros John, George e Ringo. Ele sabe que tem uma banda de cover dos Beatles em casa canto do mundo, sonhando em reproduzir de forma fiel aquilo que eles fizeram no estúdio nos anos mágicos, nos anos de sonho. Não, John, o Sonho Não Acabou e nem acabará nunca! Paul McCartney Forever!

https://www.youtube.com/watch?v=J7ErrZ-ipoE

Ricardo Pugialli, autor do livro Beatlemania
Um menino nascido em família humilde mas trabalhadora, desde cedo desenvolveu gosto pelas artes, especialmente a musica. Seu ouvido musical permitiu que tirasse as musicas que ouvia no radio e ensinasse para seu novo amigo, o líder de uma bandinha de colégio que ele acabara de conhecer, um tal de John Lennon. Esta parceria de amigos ligados pela mesma dor (a perda da mãe), permitiu um processo de composição que iniciou muito cedo, em 1957-58, com musicas como Love Me Do e When I’m Sixty-Four. Todo o processo criativo com os Beatles levou Paul ao seu auge, mas não ao seu conformismo. Ele não descansa sobre sua fama. Ele está sempre ousando, inovando, criando. De trilhas sonoras a discos experimentais, passando por musica clássica e parcerias inusitadas com vários astros antigos e novos. Sempre lançando discos inéditos, de qualidade indiscutível, excursionando todos os amos, com shows de no mínimo 2 horas, quando não chega a 3. Que artista de 75 anos faz isso hoje em dia? Creio que ele morrerá feliz, em cima do palco, fazendo o que ama: música.

Caio Castelo, músico
A geografia dos afetos nos surpreende tanto quanto conduz. Foi dentro de um carro, exatamente no cruzamento das ruas Pereira de Miranda com Professor Otávio Lobo, no Papicu, que ouvi Come Together pela primeira vez. O baixo daquela introdução foi uma das primeiras coisas que me atraiu ao instrumento, de tão massa de ouvir e fácil de tocar que era. Era a faixa 25 do 1, uma coletânea dos Beatles que havia sido lançada naquele mesmo ano. Depois, se tornou a faixa de abertura do meu disco favorito da banda. Depois, um mantra grave que persiste até hoje, daqueles tocados furtivamente em momentos desprevenidos quase sempre em que se tem um instrumento a tiracolo.

Aquele riff reverberou em mim outras tantas vezes de outras tantas formas até me levar anos mais tarde a um outro cruzamento, numa tal de Abbey Road. Dessa vez, a pé. Eu, que não sou fumante nem canhoto, tirei o sapato e improvisei um cigarro com um pedaço de papel qualquer na mão direita. Esperei o sinal fechar. Foto. Nessa época, além daquele baixo, havia voz, arranjos, histórias e revoluções ecoando junto.
Subi pela Alberto Craveiro toda revirada em lama e obras da copa. Tratores parados, pessoas em movimento. Foram três horas em que nossas geografias se coincidiram no Castelão. Havia anos que eu ouvia muitas daquelas canções e mais anos ainda que ele as cantava. A despeito de décadas de carreira sempre se desafiando e lançando novos sons, as canções mais reconhecidas eram justamente aquelas de seus primeiros anos. E lá estava aquele senhor, cantando para mim e milhares de pessoas as músicas que fez quando era jovem. Com o mesmo brilho e energia com que apresentava suas criações mais recentes. E foi aí que toda aquela coisa do baixo, da voz, dos arranjos, das histórias e das revoluções foi explicada. Vi generosidade, força, honestidade, amor, entrega. Tudo o que move a vida transformado em sons. Música. Nele, em todos que estavam ali, em mim.
And in the end the love you take is equal to the love you make.