Futebol do Povo

Ricardo Berna já se vê na Série B pelo Fortaleza e torce para o Ceará não cair

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berna

Ricardo Berna esteve no Futebol do POVO desta quinta-feira. Foi uma grande entrevista. O jogador esteve conosco por 40 minutos e falou sobre muitos assuntos. É um cara extremamente educado, consciente da condição e problemas que os atletas profissionais enfrentam no Brasil e preparado. Está muito acima da média do futebol. Assim que o vídeo na íntegra do programa estiver disponível, anexo aqui.

Entre tantos assuntos, elogiou muito seu atual técnico, Marcelo Chamusca, pelo trabalho intenso, treinos específicos e informações passadas dos adversários. Salientou que encontrou um elenco de amigos, mas que não deixam a competitividade interna de lado.

Sobre a estrutura do Fortaleza, considera pronta para o time subir e apesar de ter contrato apenas até o fim da temporada,  já se vê, confiante, atuando pelo clube na Série B e torce para o Ceará não cair porque aguarda os duelos em 2016. Por falar em Ceará, Berna trabalhou com o técnico Marcelo Cabo, contratado recentemente pelo alvinegro e só teve palavras positivas. Disse especialmente que se o grupo compreender os métodos do estudioso técnico não será rebaixado.

O goleiro, que já está treinando com a máscara de proteção até a cirurgia no nariz estar consolidada totalmente – cinco semanas – espera voltar aos gramados em breve, na rodada do outro fim de semana.

Com um raro comportamento, seguiu com a postura de não responder aos absurdos ataques do presidente do Macaé, Mirinho, que o ofendeu publicamente quando ele deixou o Rio de Janeiro para jogar no Fortaleza, mas revelou que antes de procurar outro clube, foi informado pelo citado dirigente que o Macaé não ia conseguir cumprir o acerto salarial mensal. Assim, se colocou à disposição no mercado, recusando uma proposta de um clube da Série A depois de ter acertado com o tricolor.

Aos 36 anos, Berna tinha tomado a decisão de parar de jogar depois da decepção que teve no Náutico em 2013. Foi afastado, não recebeu salários e precisou pela primeira vez na carreira entrar na justiça trabalhista. Ao retomar estudos já pensando no futuro longe do futebol – é formado em educação física e está se aperfeiçoando em coaching e método CIS – Inteligência Emocional – curiosamente descobriu motivação para continuar atuando até os 43 anos – tem 36 atualmente.

Nascido em São Paulo, com 14 anos recebeu uma proposta para jogar no Japão depois que um olheiro o viu atuando na várzea, na região de Interlagos, na capital paulista. E foi para o outro lado do mundo, sozinho, para surpresa da família. Não aguentou o contrato de três anos para fazer o colegial e jogar no Vegalta Sendai, que se estruturava para disputar a então recente JLeague. Aprendeu a língua japonesa, mas quando voltou para as férias em São Paulo após um ano, teve dois sonhos com aviões caindo e resolveu não retornar ao Japão. A partir daí foi direto para o Guarani de Campinas e depois  América-MG, União São João, Portuguesa e Fluminense, conquistando no Rio quatro títulos: um estadual, a Copa do Brasil e dois da Série A.

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