Blog do Jocélio Leal

Inconfidências sobre o 21 de abril

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Título: RETRATO DE JOAQUIM JOSÉ DA SILVA XAVIER – TIRADENTES.Autor: SILVA, OSCAR PEREIRA DA.Data: 1922.Técnica: ÓLEO SOBRE TELA.Dimensões (a_cm, a_sm X l_cm, l_sm): 160-154-75-71.Coleção:FUNDO MUSEU PAULISTA – FMP.Foto: José Rosael-Hélio Nobre-Museu Paulista da USP.Acervo: Museu Paulista da USPDomínio Público

Fortaleza – A historiografia brasileira, já livre da necessidade de mitificação de Tiradentes, há muito tempo escreve o papel da Inconfidência Mineira (1789) nas suas devidas páginas. O herói nacional teve lá sua função naquele movimento que muito mais era econômico do que libertário, no sentido da independência de Portugal. É recorrente a leitura de que Joaquim José da Silva Xavier, tal qual estudamos na escola e aproveitamos o feriado (este ano caiu logo em um domingo) foi mesmo reeditado como mártir pelos que defenderam a República, já no final do século XIX.

Nada mais era – não que fosse pouco – uma resistência ao Fisco português. O Impostômetro da época dizia que não dava mais para segurar o Quinto (como o nome diz, o imposto cobrado era 1/5 ou 20% de todo o ouro extraído). A gota d’água foi a Derrama, algo como uma operação para zerar a dívida ativa com a Coroa, com direito ao arresto de bens.

A Inconfidência, portanto, assim como os movimentos recentes de insurreição/impeachment começam mesmo na economia, embora de modo nem sempre confessado. Ora por conta da liberdade (“ainda que tardia”), ora por causa de Fiat Elba, ora por pedaladas fiscais, os levantes sempre buscam um discurso para além da economia. Mas é ela.

Convenhamos. Aquela elite de Vila Rica – estrato que chamam de setor produtivo, como se trabalhador não o fosse – sentia o peso do Quinto. Já o Brasil dos anos 1990 não suportava a degradação (nem tanto moral, mas econômica).

Collor fizera um amalucado confisco das aplicações pessoais dos brasileiros logo após assumir. Mas a hiperinflação seguia a massacrar. O índice em 1992, ano da renúncia, foi de 1119,09%. O PIB caía. Apenas em 1991 cresceu 1%. Em 1990 caíra 4,3%.

Sim, já virou lugar comum aquela frase de James Carville, o assessor econômico de Bill Clinton sobre o quão claro é o peso da economia para a política. A derrocada econômica na Era Dilma explica tudo o mais. Estúpido não compreender que o futuro de Bolsonaro depende a mesma variável. É ela.

 

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