Plínio Bortolotti

Sobre a cabeça os aviões… fazendo barulho

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Dragão do Ar

Dragão do Ar

O artista plástico Hélio Rôla, um combatente sem armas [tirante seus pincéis, computador, canetas, sua disciplinada teimosia e vontade férrea] em favor do silêncio, me pede “perdão” por “importunar” com suas “ações e animações sobre as questões sócioambientais”.

Ora, o Hélio, que me dá o privilégio de ser o ilustrador oficial deste blog, não precisa se desculpar por nada.

O fato é que ele reivindica ser atendido pelo procurador da República, Alexandre Meireles Marques, para uma audiência que deveria se dar 30 dias após a primeira – tendo já se passado um ano -, como se pode ver no relato abaixo.

A longa espera

A questão é que em janeiro de 2009, Hélio foi a uma audiência na Procuradoria da República no Estado do Ceará, presidida pelo Procurador da República Alexandre Meireles Marques,  para se manifestar “contra o pesado abuso socioambiental que se abate, diariamente, dia e noite” sobre o bairro de ele mora, a Lagoa Redonda e outros bairros “que se situam abaixo das rotas aéreas da aviação comercial que se servem do aeroporto Pinto Martins”.

Ou seja, os aviões passam por cima das casas, voando baixo, e fazendo uma zoada infernal.

A reunião teve a presença de representantes da  Infraero [aeroportos], Anac [agência da aviação civil], Semam [meio ambiente municipal], Semace [meio ambiente estadual] e DTCEA/FZ [destacamento da FAB de controle do espaço aéreo].

Ainda segundo Hélio Rôla, foi estabelecido um prazo de 30 dias, a partir de 29 de janeiro de 2009, para que essas instâncias fornecessem ao Ministério Público Federal [MPF] as informações que serviriam de base para a análise da pertinência de sua queixa.

Após alguma tempo  a Semace foi à casa dele, em dois momentos, dia e noite e – como explica Hélio – fez as medições verificando que o barulho [o “lixo acústico aéreo”, nas palavras do artista], das aeronaves era excessivo para aquela área da cidade – e que ele  aguardasse o laudo oficial que seria enviado ao Ministério Público.

“Esperei o resto do ano 2009 e até agora nada da segunda audiência… somente um eloquente silêncio. Havemos de convir que a espera de um ano ou mais para que uma segunda audiência sobre a manifestação de abuso socioambiental em pauta se realize é, sem dúvida, um tempo excessivamente longo”.

“Imagino, somente imagino, que tal demora, morosidade, digamos, advenha de algum descumprimento das solicitações feitas pelo MPF por alguma das partes envolvidas ou todas elas”.

Ele concluiu a sua Rolanet com a máxima do filósofo Michel Serres: “O turismo é uma guerra vulgar movida contra as pessoas, a paisagem e o sossego” Quem duvida?, pergunta o artista plástico.

Pois é, vamos ver o que diz o Ministério Público, encarregado da defesa dos direitos da sociedade. Creio que, no mínimo, uma resposta merece o cidadão Hélio Rôla.

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