Plínio Bortolotti

A pedra azul

"A pedra azul", de Hélio Rôla

O simpatíco bilhete do artista plático Hélio Rôla, autor da ilustração.

“Amigo Plínio, quando tantos falam em energia nuclear, te envio esse comentário do Galeano… para reflexão. HeRo”

Catástrofes nucleares da história

«Cidade de Goiânia, Brasil, setembro de 1987: dois catadores de papel encontram um tubo de metal jogado num terreno baldio. O abrem a marteladas, descobrem uma pedra de luz azul. A pedra mágica transpira luz, azuleja o ar e tudo o que toca. Os catadores de papel quebram essa pedra de luz. Presenteiam os pedaços a seus vizinhos. Quem a esfrega na pele, brilha na noite. Todo o bairro é uma lâmpada. Os pobres, subitamente ricos de luz, estão em festa. No dia seguinte, os catadores de papel vomitam. Haviam comido manga com coco: Será por isso? Mas todo o bairro vomita, e todos incham e ardem. A luz azul queima e devora e mata; e se dissemina levada pelo vento, a chuva, as moscas e os pássaros. Foi uma das maiores catástrofes nucleares da história. Muitos morreram, e muitos mais ficaram incapacitados para sempre. Naquele bairro dos subúrbios de Goiânia ninguém sabia o que significava a palavra radioatividade, e ninguém jamais havia ouvido falar do césio 137. Chernobyl ressoa diariamente nas orelhas do mundo. De Goiânia, nunca mais se soube. Em 1992, Cuba recebeu as crianças enfermas de Goiânia, e lhes deu tratamento médico gratuito. Este fato tampouco teve a menor a menor repercussão, apesar de as fábricas universais de opinião pública estarem sempre, como se sabe, muito preocupadas com Cuba

Um mês depois da tragédia, o chefe da polícia federal em Goiás, declarou:

– A situação é absurda. Não existe ninguém responsável pelo controle da radiatividade que se usa com fins medicinais. [Texto extraído do livro “Patas “Arriba, de Eduardo Galeano,Buenos Aires, Catálogos, 2009, p.194/95]»

Saudações da pARTE do Hélio Rôla

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