Plínio Bortolotti

Como será o governo Dilma?

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Meu artigo publicado na edição de hoje (1º/11/2010) no O POVO:

Como será o governo Dilma?
Plínio Bortolotti

Discordo da tese de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será o titereiro de Dilma Roussef, eleita para sucedê-lo –sendo a primeira mulher a assumir a chefia do Executivo da República Federativa do Brasil.

Primeiro, porque Lula deverá se entregar a outros afazeres. O presidente tornou-se personalidade internacional e, creio, a imagem que ele quer cultivar se aproxima mais de um Nelson Mandela ou de um Jimmy um Carter: ou seja alguém que paira acima das circunstâncias políticas.

Se Dilma, na campanha, se apresentava como parceira e, ao mesmo tempo, como dedicada discípula de Lula – ela não demonstra nenhuma vocação para marionete. Óbvio que Lula poderá ser um conselheiro privilegiado, pela experiência que adquiriu ao longo de sua vida, principalmente, nos oito anos que governou o país.

Mas, como governará Dilma? É uma questão em aberto. O que se pode dizer é o seguinte.

1) Dilma não tem a mesma popularidade de Lula, portanto terá de mostrar resultados rapidamente. Como a campanha foi de um acirramento inaudito – dança na qual até a imprensa entrou – é bem possível que ela não tenha nem os seis meses regulamentares de “lua de mel”.

2) A candidata eleita não tem o mesmo controle do PT que Lula detém. O presidente tem relação bonapartista com o seu partido: as suas vontades são acatadas sem muita dificuldade. Portanto, as propostas do partido podem ganhar mais visibilidade.

3) Diferentemente de Lula, que formou-se na área sindical, por isso sua habilidade em negociar, a presidente eleita tem a sua formação em grupos clandestinos, que implica em receber e dar ordens, pois disso depende a segurança pessoal e da organização. Além disso, Dilma tem um perfil de executiva que também pressupõe “autoridade” em vez da flexibilidade exigida na política.

4) A seu favor, ela terá um Senado mais amigável do que aquele que enfrentou Lula e lhe deu tantas dores de cabeça.

No mais é saudar a democracia, reafirmada mais uma vez nestas eleições.

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