Plínio Bortolotti

Truculento, mentiroso e contraditório

Reprodução do artigo publicado na edição de 26/9/2019 do O POVO, editoria de Opinião.

Truculento, mentiroso e contraditório

O leitor já deve ter lido várias análises a respeito do destampatório do presidente Jair Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da ONU à guisa de discurso, e de como isso piorou imagem do Brasil perante o mundo. O vomitório pode ser assim resumido: truculência, mentiras e contradições. Por aqui, vou abordar alguns pontos menos analisados por quem já escreveu sobre o assunto.

Fiquemos nas mentiras “menores”, excluindo as amazônicas.

“Meu País esteve muito próximo do socialismo.” Referência a presidentes anteriores, de Fernando Henrique Cardoso a Dilma Rousseff, que foram governos, no máximo, sociais-democratas. Muito longe do “socialismo” que, na concepção ultradireitistas equivale a comunismo.

“Fui covardemente esfaqueado por um militante de esquerda…” Já está mais do que comprovado que Adélio Bispo de Oliveira, o homem que cometeu o crime, é inimputável, cumprindo pena em manicômio judiciário. Segundo especialistas ele sofre de “transtorno delirante permanente”, uma pessoa incapaz de discernir sobre seus atos. Acusá-lo de “militante” de esquerda por longinquamente ter sido filiado ao Psol, seria o mesmo que suspeitar de alguma ligação dele com filhos de Bolsonaro, pois frequentaram o mesmo clube de tiro.

Quanto às contradições, a peça toda padece do problema, pois parte do extremismo ideológico de direita para afirmar o intento de acabar com a “ideologia”, que teria acometido seus antecessores. Depois, reclama de suposta perseguição religiosa, citando os cristãos como principais vítimas, quando se sabe que, no Brasil, quem sofre com isso são os cultos de matriz africana.

Para arrematar, jactou-se de defender a liberdade de imprensa, mas seu discurso relacionou a mídia entre seus principais inimigos; garantiu ser um amante da democracia (risos), mas em seguida diz que vai reforçar “a amizade” com alguns países, entre eles uma das ditaduras mais sanguinárias do planeta, que trucida jornalistas e reprime violentamente as mulheres – a Arábia Saudita.

Recomendado para você