Cinema às 8

O Homem nas Trevas: um mundo sem inocentes

No melhor estilo “The Bling Ring: A Gangue de Hollywood”, a jovem Rocky (Jane Levy) e seus outros dois companheiros de roubos decidem invadir a casa de um ex-militar aposentado, em busca de tirar a si e a sua irmã de uma situação de pobreza . Cego e com uma suposta fortuna escondida em algum ponto de sua casa, o homem, cujo nome jamais é revelado, irá dar uma recepção inesquecível para os invasores.

Com um mote comum para filmes do estilo home-invasion, “O Homem nas Trevas” era uma estreia aguardada para 2016. Segundo filme do diretor uruguaio Fede Alvarez, responsável pelo competente remake de “Morte do Demônio” (Evil Dead, 2013), os trailers anunciavam reviravoltas tensas e um suspense constante. Para além disso, um dos maiores trunfos do longa é ótima forma com que constrói sua narrativa, que se escala com uma graduação coerente.

Se a ameaça do idoso (interpretado por um silencioso e musculoso Stephen Lang) pode ser antecipada nos primeiros minutos de projeção, o mesmo não pode ser dito sobre alguns rumos tomados pela história. O filme conta, inclusive, com um dos cachorros mais agressivos dos últimos tempos. Como em “A Bruxa”, onde o bode Black Phillip roubou as cenas, aqui o canino também gera grandes momentos de tensão. *Fato curioso: duas dublês desistiram das filmagens por medo do cachorro, de acordo com o diretor em entrevista.

Outro ponto de destaque é a falta de moral dos personagens. Apesar de o filme não dar grandes oportunidades para que se desenvolvam, um aspecto claro é a de que não há inocentes nesta história. Em algum momento, todos se pervertem, o que ajuda a humanizar as pessoas na tela, evitando a queda na armadilha da bondade, o que certamente soaria deslocada.

Com seus aspectos técnicos muito bem trabalhados, vou me limitar a comentar apenas uma cena. Em dado momento, todas as luzes se apagam e os personagens ficam na mesma situação que a do cego. Ele, com suas habilidades tiradas diretamente de Wolverine, os rastreia por um ambiente fechado, utilizando apenas seus cheiros e sons para tanto. A cena foge do uso de câmeras de luz noturna e dos tons verdes, optando por um cinza escuro, dando a real impressão de cegueira para os atores. Destaque para seus olhos, que aparecem tão dilatados quanto estariam em uma situação real.

A produção, no entanto, não escapa de alguns problemas. A metáfora inicial acerca de salvação de uma situação de risco utilizada pela protagonista, ao refletir sobre sua tatuagem e joaninhas, soa deslocada e brega. Algumas outras convenções também soam estranhas, como a facilidade com a qual um dos personagens acessa as chaves das casas atendidas pela empresa de segurança de seu pai, que ficam expostas como se estivessem em um hotel.

Competente em sua construção de suspense e com sustos bem interessantes, “O Homem nas Trevas” é mais um bom componente para 2016, um ano surpreendente para o gênero de terror, retão limitado a sequências sem imaginação de franquias cansadas. Vamos seguir aguardando para que os próximos anos mantenham com roteiros afiados e ideias frescas na mente desses aficionados por assustar.

Cotação: 6/8

Ficha técnica:

O Homem nas Trevas (2016, EUA). Terror. 88 minutos. 16 anos. De Fede Alvarez. Com Stephen Lang e Jane Levy.

Filme em cartaz  em Fortaleza no Cinépolis Rio Mar, Centerplex Grand Shopping Messejana, Arcoplex Aldeota, North Shopping Joquei, UCI Kinoplex Iguatemi, UCI Kinoplex Parangaba, North Shopping Maracanaú, North Shopping, Cine Benfica e Centerplex – Via Sul.

 

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