Cinema às 8

Sutil e divertido, “ARQ” é ficção-científica eficiente

Abordada desde os primórdios da ficção científica, a prisão de um personagem em um período de tempo já é um dos grandes clichês do gênero. Visitada no Cinema em clássicos como “Feitiço do Tempo”, episódios de “Além da Imaginação” e, mais recentemente, em “No Limite do Amanhã”, estrelado por Tom Cruise, a premissa não varia, restando a história buscar mudanças dentro da narrativa que quebrem as expectativas da audiência.

Partindo do mote supracitado e já jogando o espectador na ação, o longa “ARQ”, recém-lançado pela Netflix, brinca com jogos no tempo em seus acelerados 88 minutos de duração. Na história, Renton (Robbie Amell, de Flash) e Hannah (Rachael Taylor, a Trish de Jessica Jones) têm sua residência invadida por assaltantes. Renton é morto de imediato e o tempo reseta para o mesmo horário, como se nada tivesse acontecido. Resta ao jovem descobrir o que está acontecendo e sair da situação com vida.

Realizado com pouco mais de US$2 milhões, o baixo orçamento é perceptível, mas acaba por se tornar o ponto mais positivo de “ARQ”. Por ter uma escala contida, o longa se desenvolve inteiramente dentro da casa de Renton, permitindo abordagens interessantes sobre a personalidade dos envolvidos, fugindo da obviedade de transformar os invasores em apenas capangas sem cérebro, semelhante ao visto em “Quarto do Pânico”.

Com pelo menos 784 reviravoltas em sua história, alguns momentos soam previsíveis, enquanto outros são de fato bem pensados e levam a trama um pouco para além do clichê inicial apresentado. O pano de fundo para a narrativa é um futuro devastado, mas que não é apresentado de imediato a audiência, sendo descrito apenas em diálogos e notícias de TV. Em tempos de megalomania de uso de 3D em tudo quanto é filme e computação gráfica generalizada, a sutileza empregada pelo diretor e roteirista Tony Elliott é louvável.

“ARQ” pode não ser o filme definitivo de 2016, ou mesmo o melhor de seu gênero neste ano, mas certamente é um bom entretenimento e guarda bons momentos em uma trama contida e simples.

Cotação: nota 5/8

Ficha técnica:

ARQ (2016, EUA). Ficção Científica. 88 minutos. De Tony Elliott. Com Robbie Amell e Rachael Taylor.

Disponível na Netflix.

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