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“Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata” : O poder das palavras em meio a Guerra

A Segunda Guerra Mundial foi cenário de diversos acontecimentos e mudou para sempre a vida e os rumos da história de milhares de pessoas. Frequentemente nas produções do cinema, o foco principal costuma ser as batalhas corpo a corpo dos soldados defendendo sua pátria e o lado épico do confronto. Porém, é mais instigante conhecer histórias ocultas do espírito de resistência daqueles que se viram em meio às adversidades e preservaram seu modo de vida, seus sonhos, sua vontade de viver. É o caso de “Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata”, produção assinada pela Netflix.

 

Vivendo em Guernsey, uma das ilhas do Canal da Mancha que foi invadida por tropas alemãs, um grupo de pessoas se reúne, à princípio, por mero acaso. Mas depois fica claro que a reunião ganha um significado superior. Quando o regulamento que os soldados impõem aos moradores para poder se reunir permitindo reuniões de clubes de leitura, eles rapidamente se intitulam a Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata.

 

O nome incomun os une como uma família sem laços de sangue, mas tendo em comum o gosto pela literatura. Perambulando pelas ruínas de livrarias bombardeadas em busca de salvarem alguns livros, um deles encontra um exemplar que lhe chama atenção com um endereço escrito na parte interna. O faz dele, então, seu amuleto da sorte. O endereço em questão é da escritora Juliet Ashton (Lily James), que ao receber uma carta contando a história de um peculiar grupo de leitores, resolve viajar para conhecê-los pessoalmente.

 

Lily James vive Juliet, uma escritora independente

 

Inicialmente ambientando-se na ilha costeira de Guernsey, com seu ambiente idílico e bastante aprazível, a jovem participa de uma das reuniões do grupo, porém, a convivência no local a faz descobrir detalhes sombrios do que a guerra causou ao local e às pessoas.

 

A produção cumpre bem seu papel ao retratar inicialmente Londres logo após a guerra e o clima de tímida recuperação de suas construções. Mike Newell conduz sua direção para que conheçamos um pouco sobre a alma de Juliet, mas ao mesmo tempo deixa encoberto vários fatos sobre o seu passado.

 

Aliás, os segredos são a principal característica do longa. À primeira vista, ficamos presos demais às impressões imediatas sobre a Sociedade Literária e seu nome peculiar (uma torta feita apenas com batata devido às adversidades de conseguir ingredientes) mas ao decorrer do filme, fica claro que há muito mais camadas sobre os personagens que somos capazes de ver. Inclusive, é o que Juliet acaba descobrindo sobre ela própria.

A guerra deixa marcas profundas em Guernsey


É interessante também como as mulheres são figuras marcantes da história. Juliet desde o princípio parece ser uma jovem independente, mesmo trazendo características de seu ofício de escritora, porém, com alguns medos em seu íntimo, e é interessante a maneira como ela vai deixando suas amarras aos poucos.

 

Porém, o desfecho da trama caminha de maneira apressada, em contraste  com o tamanho do filme e acaba se resolvendo de uma maneira bem simplista para o que foi proposto no segundo ato. Os conflitos, que são poucos, acabam se resolvendo de uma maneira bastante rápida, deixando uma impressão bem exasperante sobre o final óbvio.

 

Apesar das falhas não atrapalharem o andamento geral e criativo de “Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata”, é um filme sobre recomeço, escolhas, destino. O poder da literatura  de libertar a mente humana em meio às adversidades, mais especificamente da guerra, continua sendo um bom tema a ser trabalhado.



“Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata”


Disponível na Netflix


Cotação: 6/8

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