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5 motivos para a vitória de Werdum sobre Velasquez

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Werdum é o novo campeão linear dos pesados | Foto: UFC/Divulgação

Werdum é o novo campeão linear dos pesados | Foto: UFC/Divulgação

O UFC 188 já foi para conta e coroou o brasileiro Fabricio Werdum como o novo campeão linear dos pesos pesados, na madrugada de domingo, 14. Um dia após a conquista do ‘Vai Cavalo’, o Blog Clube da Luta resolveu fazer uma lista com os cinco motivos que levaram o gaúcho ao lugar mais alto da divisão. Ao analisar a trajetória do pupilo de Rafael Cordeiro, chegamos à conclusão dos seguintes fatores:

Estratégia perfeita
Rafael Cordeiro, líder da Kings MMA e head coach de Werdum, desenhou a estratégia perfeita para o pupilo vencer Cain Velasquez. Consciente, Fabricio já projetava o duelo em entrevistas, afirmando que a vitória sairia pelo terceiro ou quarto round. Ou seja, o gaúcho lutaria tranquilo, sem pressão, e não buscaria um golpe de ‘misericórdia’ para terminar o confronto rapidamente.

+ Rafael Cordeiro: a mente por trás de Werdum e Dos Anjos

Paciente, Werdum sentiu a mão e a força de Cain no primeiro round. Nas grades, o gaúcho se sentiu confortável, controlou o ímpeto do adversário e resistiu à pressão do clinch do americano com ascendência mexicana. No fim da primeira etapa, Werdum já havia achado a distância correta.

Com jogo de chão poderoso, Werdum intimidou Velasquez desde o começo, esbanjando confiança e chamando o oponente para a guarda. No segundo round, Fabricio buscou ainda mais a trocação e castigou o peso pesado da AKA. Encurralado em pé, o gaúcho praticamente obrigou o temido Cain a tentar a queda para trabalhar o ground and pound. No terceiro assalto, Velasquez fez tudo que Werdum queria. O ex-campeão entrou nas pernas do brasileiro e terminou finalizado com uma guilhotina.

Preparação no México
Um ponto fundamental para a vitória de Werdum começou a mais de um mês antes da batalha contra Velasquez. A decisão de viajar para o México – a cerca de 35 dias antes do UFC 188 – ajudou o gaúcho a adapta-ser à altitude da Cidade do México, a 2.400 metros.

Enquanto Werdum passou por um período de adaptação, Velasquez chegou à região faltando duas semanas para o combate. O resultado negativo ficou claro dentro do cage. O americano esteve lento no confronto, sentiu o gás e não conseguiu impor seu jogo de pressão. A queda de rendimento a cada round foi arrasadora para Cain, que via Fabricio pegando o caminho inverso e crescendo a cada etapa.

Depois da derrota, Velasquez comentou a preparação no México e fez uma autocrítica. “Fabricio foi o melhor lutador. Não tenho desculpas. Ele simplesmente foi o melhor e lutou com boa técnica. Eu senti a altitude. Eu deveria ter vindo para o México antes para me adaptar. O tempo que passei aqui não foi suficiente. Ter ficado sem lutar por muito tempo não interferiu no resultado. Fabricio já tinha lutado aqui antes e não me surpreendeu. Ele foi bem na luta e me venceu”, afirmou o ex-campeão.

Confiança
Depois de finalizar Rodrigo Minotauro, dominar Travis Browne e nocautear Mark Hunt, Werdum se tornou campeão interino e ficou pronto para bater de frente com Cain Velasquez. O brasileiro chegou ao UFC 188 com confiança de sobra, sem se intimidar com a torcida mexicana e o perigoso jogo do oponente. Em uma entrevista ao programa ‘Revista Combate’, às vésperas da luta, Werdum previu a vitória ao dizer que finalizaria o atleta da AKA com uma guilhotina.

Dentro do cage, a confiança do brasileiro intimidou Velasquez. Todos os oponentes de Cain evitaram ficar por baixo para não ser massacrado no ground and pound. ‘Vai Cavalo’ fez o contrário, colou as costas no solo e chamou o oponente para guarda. Quem teria essa coragem?

No primeiro round, mesmo levando golpes duros de Velasquez, Werdum mostrou confiança e manteve o embate no clinch e na trocação. Em nenhum momento o brasileiro tentou levar para o solo, demonstrando tranquilidade no confronto. No clich, Fabricio ‘matou’ o jogo do americano, que costuma ser superior aos adversários nessa situação, e o dominou com joelhadas na linha de cintura e no rosto. No infight, o gaúcho controlou a distância e esteve um passo à frente das investidas do ex-campeão.

Inatividade de Velasquez
Cain Velasquez sofreu com lesões e precisou passar por um longo período de inatividade. O ex-campeão ficou um ano e sete meses sem pisar no octógono do UFC. Em novembro, ele deveria ter enfrentado Werdum no UFC 180, mas uma nova contusão no joelho atrapalhou o retorno do americano.

Enquanto Velasquez sofria com a série de lesões e perdia o ritmo de luta, Werdum brilhava no octógono e atropelava adversários. Em 2011, aconteceu algo parecido com o americano. Há quatro anos, Cain também passou por um período fora dos cages por contusão e perdeu o cinturão pela primeira vez diante de Junior Cigano, quando acabou nocauteado.

Contra Werdum, Velasquez se mostrou fora de ritmo, sem a mesma pegada e lento. Fora do octógono, Cain ainda teve um apoio ‘negativo’ dos parceiros de treino, Luke Rockhold e Daniel Cormier, que o colocaram como imbatível e levantaram o clima de ‘já ganhou’.

Lance decisivo
Momentos antes do triunfo brasileiro, uma ordem definiu o desfecho do combate. No intervalo do segundo para o terceiro round, os corners de Velasquez mandaram o americano parar de trocar e levar para baixo. Cain foi lá e fez tudo o que Werdum queria desde o começo do duelo. Quando Velasquez entrou nas pernas do gaúcho, o atleta da Kings MMA já caiu com uma guilhotina encaixada. Fabricio treinou bastante para esse momento específico, visto que sabia que o adversário buscaria a queda. Coube a ele estar preparado para o lance decisivo.

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