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Há histórias de restaurantes que começam com grandes planos. A de Viviane Ferreira e Marcelio Souza começou de maneira mais simples: um pequeno quiosque na Varjota, alguns espetinhos e a vontade de construir o próprio negócio. Quinze anos depois, aquela primeira experiência se transformou em quatro restaurantes das marcas Meu Feijão Verde e Boteco do Ciço, que conquistaram espaço no roteiro gastronômico de Fortaleza e do Eusébio.
A receita dessa trajetória reúne ingredientes que vão além da cozinha. Tem empreendedorismo, parceria, referências familiares e, principalmente, uma aposta nos sabores que fazem parte da identidade nordestina. Entre feijão verde, comidas regionais, cerveja gelada e clima acolhedor, os restaurantes se tornaram pontos de encontro para famílias e grupos de amigos.
A história começou em 2011, quando Marcelio decidiu deixar o trabalho como maître em um renomado restaurante de Fortaleza para investir no próprio negócio. Ao lado de Viviane, abriu na Varjota a Esquina do Feijão Verde, inicialmente com uma proposta bastante popular: vender espetinhos.
A familiaridade com a gastronomia já fazia parte da vida do casal. Viviane conta que a experiência da família com cozinha e comércio ajudou nos primeiros passos do empreendimento. A mãe já havia mantido um comércio e também tinha habilidade na cozinha, enquanto o pai era chefe de cozinha.
“A gente já tinha experiência porque minha mãe tinha tido um comércio e também cozinhava muito bem, assim como o meu pai, que era chefe de cozinha”, lembra a empresária.
Foi justamente durante a inauguração que surgiu o prato que mudaria os rumos do negócio. Uma amiga da família sugeriu que, além dos espetinhos, fosse servido feijão verde. A princípio, a ideia era oferecer a preparação apenas naquele dia. Mas o sucesso foi tão grande que os clientes praticamente decidiram o futuro do cardápio.
O feijão verde permaneceu. E não apenas como mais uma opção: tornou-se o prato que passou a identificar a casa e acabou incorporado ao próprio nome do empreendimento.
Um novo capítulo na Aldeota
Cinco anos depois da abertura da Esquina do Feijão Verde, o casal decidiu ampliar os negócios. Em 2016, assumiu um ponto tradicional na Aldeota, que passou a se chamar Boteco do Ciço.
A escolha preservava a referência do antigo estabelecimento e homenageava seu proprietário, que estava no endereço desde 1984. Ao mesmo tempo, mantinha uma conexão com os clientes que já conheciam e frequentavam o local.
Com a nova identidade, o Boteco do Ciço passou a apostar na atmosfera descontraída dos botecos e em uma gastronomia que valoriza sabores tradicionais. A casa rapidamente ganhou espaço entre os apreciadores desse tipo de culinária.
Enquanto a nova operação avançava, a unidade da Varjota enfrentava outro desafio: o espaço já não dava conta do movimento. Era hora de procurar um endereço maior.
A busca levou Viviane a percorrer a região durante meses. Um terreno próximo a uma grande caixa-d’água chamou sua atenção, embora não houvesse qualquer indicação de que estivesse disponível para locação. A empresária decidiu procurar os proprietários e iniciou as negociações.
Conseguiu o ponto. E, dessa vez, o restaurante seria construído do zero.
Na Rua General Eurico, 86, nasceu uma nova unidade do Meu Feijão Verde. A inauguração foi acompanhada por um movimento acima das expectativas, com lotação constante e longas filas de espera.
O crescimento continuou nos anos seguintes. Em 2022, a marca chegou ao Eusébio, com uma unidade na Rua Carmelita Rebouças, 122. Já em março de 2025, o Boteco do Ciço ganhou uma nova casa, desta vez no Meireles, ampliando a presença da marca em uma das regiões mais movimentadas de Fortaleza.
Entre a cozinha e a gestão
Hoje, administrar quatro restaurantes exige do casal uma rotina intensa e uma divisão clara de responsabilidades. Embora as decisões sejam compartilhadas, Viviane e Marcelio atuam em áreas diferentes da operação.
Marcelio está à frente do setor operacional. Carismático e atento aos detalhes, acompanha as equipes, participa da rotina dos restaurantes e busca manter próximo o relacionamento com os clientes. Para ele, o atendimento é um dos elementos fundamentais para transformar uma refeição em uma boa experiência.
Viviane destaca ainda a própria trajetória profissional do marido como um fator que influencia sua relação com os funcionários. Por já ter ocupado o lugar de quem trabalha no restaurante, Marcelio procura incentivar os integrantes da equipe e abrir espaço para aqueles que também sonham em empreender.
Viviane concentra-se na contabilidade e na organização financeira dos negócios. Seu trabalho também envolve acompanhar os padrões de qualidade, conversar com as equipes das cozinhas e observar o que pode ser aprimorado no dia a dia das casas.
Uma receita que continua crescendo
O que nasceu em um pequeno quiosque com espetinhos ganhou novos endereços, novos públicos e diferentes possibilidades de negócio. Mas um elemento permaneceu presente ao longo de toda a trajetória: o sabor regional que ajudou a dar identidade ao empreendimento.
O feijão verde, que entrou no cardápio quase por acaso, acabou se tornando símbolo dessa história. Ao lado de outros pratos da culinária nordestina, ajudou a transformar uma pequena iniciativa em um grupo com quatro restaurantes.
Para Viviane e Marcelio, os 15 anos de trajetória representam mais do que a expansão de uma empresa. São capítulos de uma história construída a partir da cozinha, da família, do trabalho conjunto e da capacidade de reconhecer, em uma receita simples, um sabor capaz de conquistar o público.



