
E é aí que mora o problema de O disco do ano. Depois de abordar tantos estilos, instrumentos, ritmos e convidados, fica difícil para Zeca Baleiro fazer algo que de fato surpreenda. Pulando de um reggae meio fraco das pernas (Calma aí, coração, em parceria com Hyldon) para um bregarock com guitarra à la Chimbinha (O amor viajou), o primeiro trabalho de inéditas do maranhense desde O coração do homem bomba (2008) parece mais desnorteado do que criativo.
Também cheia de intenções é a lista de convidados. O cantor Chorão, da banda santista Charlie Brown Jr, divide a letra quilométrica do rap O Desejo. Já a baiana Margareth Menezes coloca seus graves possantes em Último post, parceria de Zeca com sua irmã Lúcia. Por fim, a paulista Andreia Dias bota docilidade no rock oitentista Meu amigo Enock, uma das melhores do novo trabalho. Depois, Baleiro aparece sozinho cantando, compondo e arranjando na imediata Felicidade pode ser qualquer coisa. Certo de que “zona de conforto” não é muito sua praia, ele diz: “se você quer ser feliz, tente”.