
“Finalmente, né? Já cantei em muitos lugares do Nordeste, mas vamos desencantar agora em Fortaleza”, comenta a cantora que, há tempos, ouve falar sobre o público da Cidade. “O meu técnico de som (Vitor Paranhos) é o mesmo do Marcelo Jeneci. Eles vão para aí e quando voltam é botando a maior pilha. ‘Tu tem que ir. É muito legal’”. Ela até chegou a ser anunciada como convidada do show de Jeneci, no Festival UFC de Cultura 2011, mas outro show já marcado atrapalhou a vinda. Para compensar a demora, Tulipa adianta que preparou um show onde mistura os melhores momentos de Efêmera (2010) e Tudo tanto (2012), seus dois únicos discos.
Hoje com 34 anos, a santista que cresceu em São Lourenço, Minas Gerais, é uma das figuras mais comentadas da música brasileira. Batizada com o nome de uma flor que os pais gostavam, Tulipa demorou a enveredar pela música. Antes, trabalhou como jornalista e ilustradora. Filha do guitarrista Luiz Chagas, membro da banda Isca de Polícia que acompanhava Itamar Assumpção (1949 – 2003), ela só foi morar com pai em São Paulo quando era “jovenzinha”. Até lá, ficava recebendo dele, que também é jornalista, uma série de discos com os releases. “Isso era muito legal por que eu ficava antenada”, acrescenta.
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=UEasgxSEjww[/youtube]Fazendo participações em shows de amigos, ela começou a desenhar uma carreira de cantora em 2009, período em que começou a gestação de Efêmera. A espera foi tão na medida que, quando o disco nasceu, saltou logo para o topo das listas de melhores do ano. “Não imaginei que a música fosse ser minha profissão. Quando isso aconteceu, foi muito difícil por que o risco ia ser muito grande”, lembra ela que ainda se desiludiu ao tomar contato com o lado burocrático da história, coisas como advogado e direito autoral. “Eu liguei para o (músico) Tatá Aeroplano e disse: ‘Tatá, meu, to achando isso chato, esquisito. Quer dizer que eu tenho que entender de edital?’ Era como se eu tivesse acabado de pegar a grade de matérias na universidade”, lembra.
Passar pelo primeiro susto valeu à pena e facilitou o caminho para que Tudo tanto chegasse com mais tranquilidade, com o apoio do edital Natura Musical. O aprendizado também valeu para a parte musical. “Esse disco é resultado de muita estrada, de uma convivência em grupo, em banda. É um disco mais maduro, com mais horas de voo. Tudo era novo na hora de gravar o primeiro. Nesse, eu desfrutei mais do estúdio”, lembra Tulipa, que disponibiliza seus dois discos para download gratuito em seu site oficial. “Num primeiro momento, eu acredito que o download é uma primeira relação. Hoje o perfil do público é híbrido. Tenho uma prima de 12 anos nunca comprou disco, um amigo que compra LP e outro que nem baixa, só ouve em streaming. Se eu não ofereço (nesses formatos) eu to restringindo o meu público. E eu soube que meu disco vazou, quando eu fui ver era numa qualidade péssima. Essa coisa da baixa resolução é o mal contemporâneo. Ou seja, quer me baixar, me baixe com dignidade”, encerra.