A cantora paulista Blubell costuma dizer que, na infância, brincava de boneca ouvindo Ella Fitzgerald. A intimidade com o som desta e de outras divas, acabaram por lhe dar um sotaque refinado, que combina perfeitamente com sua voz peculiarmente aguda. Com dois discos gravados, com destaque para o elogiadíssimo Eu sou do tempo que a gente se telefonava (2011), ela agora chega ponto mais alto da sua intimidade com o jazz.
Com perdão pelo clichê, o resultado foi um gol de placa. Numa mesma pegada, o disco passa da desconhecida Yokohama girl, do paulistano Ignacio Zatz, para o hino My generation, do The Who. Por se tratar de um disco de jazz, há espaço também para standards de Cole Porter (Love for sale) e Edith Piaf (La vie em rose). Para dar uma incrementada, tem ainda Michael Jackson (Ben), George Harrison (Long long long) e Nelson Cavaquinho (Luz negra). Que tal ainda Those were the days, sucesso de Mary Hopkin, imortalizado no Brasil no programa Show de Calouros (aquela do “a Sonia Lima la la la la”). De autoral, apenas Blue, de Bluebell, e Here, de Taglieaferri e Rodrigo Rodrigues, que se adaptam perfeitamente ao clima caloroso desta parceria.
