Discografia

Fim de semana de Zélia Duncan, Beatles, Tatit, Sandra de Sá…

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ToTatiando

Se, quando estão no palco, os artistas são alvo de admiração e idolatria, quando são plateia eles também têm seus preferidos. E sempre é tempo para que uns homenageiem os outros, deixando claras suas fontes de inspiração. Esse foi o tom de uma série de shows que chegou a Fortaleza neste último fim de semana. Começou na quinta-feira (3), com a estreia de TôTatiando, espetáculo onde Zélia Duncan dá uma interpretação nova e pessoal para a obra do paulistano Luiz Tatit.

Cercada de delicadezas por todos os lados, a cantora niteroiense se serviu das manhas do teatro para dar vida aos personagens intrigantes de Tatit. Apresentado em quatro noites seguidas na Caixa Cultural, os ingressos completamente esgotados são o resultado do que foi apresentado. Dirigida pela atriz Regina Braga, Zélia Duncan vai além da música numa mistura de realidade e fantasia. No palco, os músicos Webster Santos e Tércio Guimarães criam climas e situações sonoras para a cantora, que se sai muito bem interpretando uma atriz.

Nesses climas vistos ao longo de cerca de uma hora de TôTatiando, Zélia Duncan vai do engraçado ao trágico. No primeiro caso, “Olhando a paisagem” é o inverso da Amélia, de Mário Lago e Ataulfo Alves. Da ansiedade causada pela espera daquela que saiu há mais de mês até o alívio de lhe ver voltando, a artista segura seu personagem com vontade. Já em Dodoi, o triste fim do compositor Itamar Assumpção (1949 – 2003) é relembrado em um dos momentos mais pungentes do espetáculo. Em meio a tantos sentimentos à flor da pele, o único ponto baixo fica para o camarote da Caixa Cultural, cuja posição deixa parte do palco coberta.

Time de ilustres

BB Covers (7)

Seguindo a rota das homenagens, o Siará Hall recebeu, também neste fim de semana, o projeto Banco do Brasil Covers, onde artistas brasileiros se debruçaram sobra a obra dos seus ídolos em três shows inéditos. Um dos mais aguardados aconteceu no domingo (6), com um quinteto de estrelas do rock oitentista cantando Beatles. No horário programado para começar (às 21h), o público ainda chegava em doses homeopáticas. E quem foi de carro ainda tinha que desembolsar R$ 20 para estacionar o carro no meio da rua.

O show começou com mais de meia de hora de atraso, para um Siará Hall ainda vazio. Uma pena para quem faltou, pois o que se viu no palco foi um dos espetáculos mais enérgicos, afiados e bem montados que aquela casa já apresentou. Quem comandou a brincadeira foi o veterano produtor Liminha, que também assumiu o baixo com muita propriedade.

BB Covers (2)Ao seu lado, os músicos dispensavam apresentações. O paralama João Barone martelou com gosto sua bateria; mais discreto, Leoni assumiu violão, guitarra e algumas vozes; da Legião Urbana, Dado Villa-Lobos cantou e tocou como nunca na vida; e Toni Platão foi um show de voz e performance à parte, impressionando uma plateia que pouco o conhecia.

A esse time estelar, acrescente um grupo sui generis de convidados. Calando os críticos, Marjorie Estiano botou a voz pra fora e deixou muito marmanjo babando com seu corpinho mignon. Mais conhecido pelo trabalho de ator, André Frateschi foi, no mínimo, incendiário berrando em Oh, darling e saiu de lá consagrado. Paulo Miklos relembrou ao público que ainda é a voz mais poderosa dos Titãs. Por fim, Sandra de Sá, a mais experiente dos convidados, se enrolou nas letras de Hey Jude e Twist and shout, mesmo estando lendo no monitor. Ainda assim, não se pode dizer que ela comprometeu sua participação.

Tanto foi que, se dependesse do público, o show estaria acontecendo até agora. Se dependesse dos músicos, também, já que o clima no palco era de brincadeira e informalidade. Alguns problemas de som atrapalharam os cantores. Ter sua visão coberta pela presença de um vendedor de cerveja e pipoca é outro problema antigo do Siará Hall (e do falso chic Centro de Eventos). Ainda assim, quem viu esse encontro de artistas ao vivo, não deve esquecer jamais.

2 Comentários

  • João Batista disse:

    Bom ter alguém comentando a qualidade dos espetáculos que rolam na cidade. Geralmente só temos as matérias em jornais com apologias aos shows e depois nada mais se comenta. Em relação aos 2 shows não fui a nenhum: Caixa Cultural (quem conseguir ingresso para algum espetáculo mais relevante pode se considerar privilegiado. Desisti de tentar pois sempre quando se abre a bilheteria o ingresso já acabou. Ainda tem a deficiência de divulgação pois o Centro Cultural não possui nenhum site ou blog que publique sua programação); Siará Hall – som sempre ruim e atendimento idem. Pena ter perdido este show de covers..mas a produção poderia ter escolhido lugar melhor.

  • Bruno Garcia disse:

    Excelente show e critica do Beatles Cover. Foi exatamente o que aconteceu. Quanto a participação da Sandra de Sá, me lembrou a Vanusa cantando o Hino Nacional.

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