
Pensado como um “pregão pop, plural e abrangente”, segundo o próprio Péricles Cavalcanti, Frevox se alinha e reforça a história de um compositor que sempre correu paralelo ao sucesso. Autor de canções famosas, interpretadas por gigantes da música brasileira como Caetano Veloso, Cássia Eller e Gal Costa, o carioca de 66 anos é um intérprete discreto da própria obra. Apesar, por outro lado, de ser bem eficiente neste ofício. Certo de que seu lugar na música já está garantido, ele sabe ousar e dar sua cara à voz que tem.
E é justamente nessa gangorra que pende, ora para a fama, ora para o desconhecimento, que ele começa Frevox. “Sou apenas mais um Péricles, entre muitos outros Péricles”, desdenha em Entre muitos outros, onde elenca DJs e o vocalista do Exaltasamba. Esta é uma das quatro faixas, entre 18, que ele figura sozinho. Nas demais, passeiam Karina Buhr, Cachorro Grande, Leo Cavalcanti, Tiê, Arrigo Barnabé, Iara Rennó e muitos outros. Um destaque especial para o sempre genial (vale até a rima) Lanny Gordin, mítico guitarrista da Tropicália. É dele a guitarra lancinante de Cínico e canalha.
Como Péricles Cavalcanti não pretende vender milhões de discos a qualquer preço, é preciso abrir o disco e ler a ficha técnica para localizar tantos convidados. É que o destaque é para ser dado ao nome deste indescritível compositor, que merecer ser sempre desvendado por quem tem respeito pela música brasileira.