Discografia

Os rituais: Discografia viu Thiago Almeida e Carlinhos Patriolino

*Por Hamilton Nogueira

Venci minha invencível preguiça noturna para ver Thiago Almeida e Carlinhos Patriolino no Café Couture – uma das ilhas de excelência musical de Fortaleza. Thiago, a barba hirsuta, blusas estilo único e o talento imenso poderiam bastar. Porém tem os rituais insólitos: uísque, fumaça e o batido frenético nas teclas do órgão elétrico (difícil carregar um piano) ainda desligado como que para fazer o instrumento entender o quanto será exigido.

Patriolino, sorriso fácil, carisma de sobra e o talento imenso poderiam bastar. Porém tem os rituais insólitos: uísque, fumaça, muita gargalhada, a mudança repentina num roteiro combinado na noite anterior que não será cumprido e as várias cordas quebradas mostrando que o instrumento não entendeu o quanto era exigido.

Sentado a mesa com Patriolino, antes da apresentação, rimos de tudo, conversamos sobre o momento de vida do artista, família, sua paixão pela filha Antônia. “Vem de Santo Antônio, sabe?”, diz meio tímido. “Meu pai gostava muito de música. Morrreu com 79 anos beijando minha mãe. Nunca ouvi ele dizer uma grosseria com ela”.

Bastaria a execução perfeita das músicas do Jacob do Bandolim, a vicesralidade da interpretação, a virtuose. Todavia tem mais, tem os rituais: o uísque, a fumaça, os improvisos, o acordo imediato e silente entre os músicos.

Comprei o CD do Thiago Almeida Trio e o instei a falar sobre o cenário para a Marimbanba. Timidamente ele respondeu que tem público e que as pessoas gostam, negou um copo de cerveja e optou por esticar-se um pouco antes de começar a tocar. O nome do disco é Uneração Vital e cuja primeira faixa é Tocamos o que Somos. Bastaria o Thiago. Bastaria o Patriolino. Mas tocando juntos eles são o que há de melhor.

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