Discografia

Roberta Martinelli comenta como nasceu o projeto Acorda Amor

 

Roberta Martinelli (ao centro) com o elenco de Acorda Amor

Jornalista, apresentadora do programa Cultura Livre (sugiro procurar e assistir os muitos vídeos do projeto no Youtube), Roberta Martinelli foi convidada para assumir a direção artística do projeto Acorda Amor. Abaixo, ela conta detalhes de como surgiu conceito, repertório, elenco e as bandeiras que cercam esse repertório primoroso.

DISCOGRAFIA – Você falou numa matéria da TPM que muitas vozes, inclusive de homens, e músicas foram pensadas até chegar ao formato que foi registrado no disco. Queria que você falasse desse processo até chegar às 17 canções e a essas cantoras.
Roberta Martinelli – O Décio 7 e o Devanilson (que foi programador do Sesc Pompeia e, infelizmente, morreu) estavam juntos pensando um baile de Carnaval e me chamaram para assinar direção artística junto. Começamos um processo que transformou o Carnaval em um baile de gritos entalados no momento que o Brasil estava. De tantas vozes, fechamos nessas cinco mulheres que juntas funcionam muito bem. O repertório foi pensado para e com elas. Do primeiro show até a gravação algumas mudaram

DISCOGRAFIA – Além da sonoridade, da opção por cinco cantoras e do repertório politizado, a cor vermelha também é uma presença marcante nesse trabalho. Queria que você explicasse esse conceito do Acorda Amor, costurando esses elementos.
Roberta – Acorda Amor é um grito para todxs e para a gente também. A gente vai vendo e vivendo coisas e é tanto, tão bizarro que às vezes fica um sentimento de paralisação. É um acordar com afeto. Um despertar. O vermelho é luta, sangue, amor, alerta.

DISCOGRAFIA – Inevitavelmente, o nome Acorda Amor faz lembrar, imediatamente, a música do Chico Buarque. E, curiosamente, ela não está no repertório. Queria saber em que momento esse nome foi escolhido para o projeto? De quem foi a ideia?
Roberta – O nome Acorda amor foi uma ideia do Décio e da Helena Forghieri (produtora) e ele estava desde o começo… “Acorda amor, eu tive um pesadelo agora” e esse pesadelo recorrente de tantas questões do mundo. É aquele meme que sempre rola “o roteirista do Brasil tá que tá” – não tem fim… Do começo do projeto até hoje, tem um texto no começo que é atualizado a cada bizarrice que nos acontece e escrevendo essa última versão para o show de lançamento rolou um momento de “nossa! Não sei nem mais como escrever tudo isso”.

DISCOGRAFIA – O repertório passa diversas mensagens para os novos tempos. A importância de desabafar, de ter calma, de se assumir, que não adianta chorar. Em que medida cada um desses “conselhos” é importante para atravessarmos o Brasil de hoje? Algum conselho é mais importante que outro?
Roberta – São músicas com esses gritos entalados. Não acho que tenha uma letra mais importante que outra. Acho forte ver a arte nesse papel de transformação. A música canta o nosso tempo e feita muitas vezes em outro tempo. O registro é importante pra mim como registro do que estávamos passando aqui e chamar o amor é sempre.

DISCOGRAFIA – Pegando como base o elenco que integra o Acorda Amor, que análise você faz da cena musical brasileira atual?
Roberta – A música atual brasileira é muito importante, plural. Tem aquela frase horrível e repetida sempre “não se faz mais música como antigamente” e ainda bem! Estamos em 2020 e fazemos música como hoje, mesmo que seja de antigamente. Você pode gostar ou não mas tem que respeitar.

DISCOGRAFIA – Que planos você tem para o Acorda Amor? Existe algo agendado de shows, outros lançamentos?
Roberta – Planos mil. Shows de lançamento aqui em SP e nosso foco agora está em levar esse show para o Nordeste em uma mini turnê. Torcendo e trabalhando muito para dar certo.

DISCOGRAFIA – Quais as suas previsões e expectativas para o Brasil de 2020?
Roberta – Expectativas e previsões para o Brasil? Ahhhhhhhhhhhhh não sei se sou tão boa roteirista. Para ter uma resposta otimista vou responder que acho que vamos ter que lutar e acordar muito. Mas vamos lá!