Educação

Alerta para a obesidade infantil

Dois trabalhos de mestrado realizados na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) mostram que o excesso de peso pode trazer consequências preocupantes para meninos e meninas.

O estudo “Excesso de peso e fatores associados em escolas dos Recife”, realizado pela nutricionista Isabel Pinto, aponta que 14,9% das crianças têm obesidade abdominal e 63,8% apresentam dislipidemia, uma alteração nas concentrações de gordura no sangue.

Esses fatores representam risco de doenças cardiovasculares. Outros aspectos, como a maturidade sexual precoce, também podem estar associados ao sobrepeso. Ao todo, 1.405 crianças e adolescentes de 40 escolas, sendo 29 públicas e 11 particulares, participaram do levantamento, entre outubro e dezembro de 2007.

alimentacaoA segunda pesquisa, “Dislipidemia em escolares de 10 a 14 anos no Recife”, foi defendida por Patrícia Brazil a partir de análises das amostras sanguíneas de 470 estudantes.

Os dois estudos fazem parte de uma pesquisa, que conta com a ação conjunta do departamento de nutrição da UFPE e o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip).

A pesquisadora Isabel Pinto mostrou preocupação com os resultados apresentados. Segundo ela, um levantamento nacional de 1997 constatou sobrepeso em 11% dos jovens de 10 a 19 anos de regiões urbanas do Nordeste.

Em dez anos, houve um aumento de 185%. Os números devem-se, principalmente, à má alimentação e ao sedentarismo, mas a maturidade sexual precoce também pode ser um agravante. De acordo com Isabel, o risco de obesidade em meninas com maturação precoce chega a 98%. Para os meninos, esse risco foi de 45%.

“Ainda está sendo esclarecido se a maturação precoce levaria ao excesso de peso ou o oposto”, afirmou, ressaltando a importância de novas pesquisas para determinar a relação de causa e efeito.

Segundo a pesquisadora, co-orientadora das pesquisas e professora do departamento de nutrição da UFPE, Ilma Kruze, outro risco associado à maturação sexual precoce é o comprometimento do crescimento. Segundo a pesquisadora, o peso médio para as meninas menstruarem é 40kg, independente de idade. Se ocorrer antes disso, a menstruação pode prejudicar o crescimento.

Uma boa noite de sono também pode ajudar crianças e adolescentes a manterem o peso. De acordo com uma pesquisa americana, cada hora a menos de sono representa 20% a mais de chances de engordar.

O neurologista americano Walter Moraes descobriu que cerca de 1% do peso é perdido enquanto dormimos. Mesmo assim, os adolescentes não costumam dormir mais que sete horas, duas a menos que o recomendado para quem tem de 12 a 20 anos.

Segundo o pediatra Gustavo Moreira, do Instituto do Sono, é essencial que os pais estipulem um horário para a criança dormir. Além disso, é importante que as crianças façam atividade ao ar livre durante o dia e diminuam o ritmo durante a noite.

Fonte: Diário de Pernambuco (PE); Jornal de Brasília

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