Entre Aspas

Vintes anos sem Caio Fernando Abreu

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Caio Fernando Abreu morreu no dia 25 de fevereiro de 1996 (hoje completa-se vinte anos de sua morte), vítima de complicações decorrentes do vírus HIV, aos 47 anos de idade. Um dos mais instigantes e surpreendentes autores de sua geração, fez de sua vida e obra uma provocação.  Envolto por fumaça de cigarro e dúzias de xícaras de café, ele trabalhava duro em seus textos, que versavam sobre a solidão, o sexo e a morte e conquistaram o amor de legiões de leitores.

Clarice como referência
Clarice Lispector foi a maior referência literária de Caio.No livro Inventário do Irremediável a influência dela é ainda maior, com ele trabalhando o conceito de epifania. No início da década de 70, em Porto Alegre, Caio foi a um lançamento de um livro de Clarice. “Cheguei lá timidíssimo, lógico. Vi uma mulher linda e estranhíssima num canto, toda de preto, com um clima de tristeza e santidade ao mesmo tempo, absolutamente linda. Era ela”, ele contou sobre esse dia.Clarice é apresentada a Caio por um escritor que estava ali. Caio conversou com ela sem acreditar na situação. Clarice deu seu número de telefone e disse para Caio ligar quando fosse ao Rio. “Tive 33 orgasmos consecutivos”, disse ele.

Caio Fernando, foi um possuidor de um repertório literário singular e um artista com formações que sempre privilegiaram o verbo escrito – quando vivo, foi jornalista, dramaturgo, contista e romancista – Caio é a expressão sensível e apaixonada de uma cultura crua, de facetas das mais diversas e marcada, sobretudo, por importantes acontecimentos ao redor do globo.

Fatos estes tão intrinsecamente ligados por meio de intrépidas linhas que ganharam outros contornos, vieses que insistem em repercutir no imaginário do público leitor nacional e onde mais sua vasta criação conseguiu alcançar. Como nas redes sociais, onde o autor hoje é amplamente compartilhado – só o aplicativo “Conselhos do Caio Fernando Abreu” tem mais de 40 mil curtidas no Facebook e, no Twitter, oito perfis são dedicados a ele -, com excertos, alguns até não pertencentes à sua autoria, ocupando o centro de inúmeras publicações de admiradores da sua produção.

Caio Fernando Loureiro de Abreu nasceu em 12/09/1948, em Santiago (RS). Ainda jovem foi morar em Porto Alegre, onde cursou Letras e Arte Dramática na UFRGS, mas abandonou para ser jornalista. Trabalhou nas revistas Nova, Manchete, Veja e Pop, foi editor da revista Leia Livros e colaborou em diversos jornais: Correio do Povo, Zero Hora, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. Suas principais obras são Inventário do Irremediável, O Ovo Apunhalado, Morangos Mofados, Os Dragões não conhecem o Paraíso, Ovelhas Negras e Onde Andará Dulce Veiga?

Veja abaixo algumas das frases do escritor:

“Meu coração é o mendigo mais faminto da rua mais miserável.”

“Eu não me conheço. E tenho medo de me conhecer. Tenho medo de me esforçar para ver o que há dentro de mim e acabar surpreendendo uma porção de coisas feias, sujas.”

“E amar muito, quando é permitido, deveria modificar uma vida.”

“Eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha – e tenho – pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim.”

“Para manter-me vivo, saio à procura de ilusões.”

“Alguma coisa em mim não consegue desistir, mesmo depois de todos os fracassos.”

“A coisa que uma pessoa mais precisa na vida é gostar das outras pessoas e ser gostada também.”

“Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da concha que você habita.”

“A perda do amor é igual à perda da morte. Só que dói mais.”

“Tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância.”

 

 

 

 

 

Texto: Eduardo Sousa | Imagem: Internet

 

 

 

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