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A ‘nova’ agenda brasileira

A agenda dos próximos quatro anos terá, a um só tempo, as ações de um novo presidente (ou presidenta) eleito em alguns meses e a correria preparatória da Copa de 2014

Passado o gosto amargo da derrota brasileira na Copa da África do Sul, o técnico Dunga já anunciou sua saída (esperada), jogadores (poucos) desembarcaram nos aeroportos brasileiros, os comentários explicativos da queda diante da Holanda inundam jornais, portais, blogs e uma nova agenda começa a surgir no País, mesmo na semana em que conheceremos o novo campeão do mundo no futebol. As pesquisas eleitorais dão conta de um equilíbrio total dos principais candidatos à Presidência da República (José Serra e Dilma Rousseff) e as projeções de economistas (dentro e fora do governo) apontam um desempenho sem precedentes no País em 2010 e 2011.

Então o tema futebol dá lugar, definitivamente, à política e à economia, correto? Não. O assunto Copa do Mundo, particularmente no Brasil de 190 milhões de torcedores, não pode ser deixado de lado. Motivo: a agenda dos próximos quatro anos terá, a um só tempo, as ações de um novo presidente (ou presidenta) eleito em alguns meses e a correria preparatória da Copa de 2014 – a ser realizada em território nacional. E o cronograma da nova agenda futebolística já está atrasada. Faltam estádios adequados (mesmo em cidades fortes e importantes, como a capital paulista), há carência de infraestrutura de transporte, rede hoteleira suficiente para atender padrões internacionais. Suprir todas essas necessidades em apenas 48 meses é tarefa nada fácil, sobretudo para um País que só na virada do século conseguiu dobrar com segurança a curva da hiperinflação, acertou as contas externas e consegue incluir na economia boa parte dos milhões de habitantes das faixas D e E. E a agenda brasileira de 2014 está igualmente atrasada numa área vital para que o Brasil obtenha êxito ao oferecer-se como cenário do mais importante torneio de futebol do Planeta: mão-de-obra qualificada que deverá dar suporte real à recepção de turistas, gestão de comunicação eficiente nas diversas cidades onde ocorrerão as partidas, atendimento médico e segurança de nível internacional, gastronomia, orientação para o trânsito – para citar as atividades mais visíveis desse enorme desafio.

Numa primeira análise, técnicos da Associação Brasileira de Recursos Humanos (RH) estimam que um vento desse porte exige um time de 3,4 milhões de profissionais capacitados nas mais diversas áreas. Na mesma linha de avaliação, gerentes do Instituto de Pesquisa em Economia Aplicada (Ipea) e do IBGE calculam que faltam, pelo menos, 300 mil pessoal qualificadas para compor a equipe necessária para atender as principais demandas de uma Copa do Mundo Brasil. Mais do que mensurar o tamanho do desafio, os técnicos do Ipea (em sintonia com o próprio Ministério do Trabalho) apontaram as qualificações necessárias. E as tarefas são enormes, pois há falta de profissionais com expertise na administração focada em gestão esportiva, turismo de negócios, direito internacional e fisioterapia. Sem contar que há necessidade urgente de que estes profissionais estejam globalizados quanto a idiomas, dominando ao menos duas ou três línguas estrangeiras. Otimistas, o mesmos técnicos informam que a agenda está muito apertada mas ponderam: com programas urgentes de reciclagem profissional e apoio das redes técnicas de ensino (Senac, Sebrae, Sesi – entre outras) é possível amenizar a carência dessa mão-de-obra especial. E vale acentuar: investir em educação e reciclagem profissional é algo estratégico e que deixará excelente salto qualitativo no pós-copa.

Fonte:  Jornal Cruzeiro do sul

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