Fisioterapia & Saúde

Mania nas academias dos EUA, plataformas vibratórias ainda despertam dúvidas

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Anja Burgess utiliza a plataforma vibratória com ajuda do personal trainer Don Gadbois

Por Gina Kolata
The New York Times

A ideia parece um pouco boba, apenas mais uma geringonça para fazer exercícios. Ficar de pé por alguns minutos numa plataforma que vibra. Sai dela e tentar fazer algum exercício de musculação – agachamento, por exemplo. Ou tentar uma corrida curta. Ou ver quão alto podemos saltar. De alguma forma, devemos poder carregar pesos mais pesados, correr mais rápido, pular mais alto.

Mas talvez isso não seja tão bobo assim, de acordo com fisiologistas que trabalham com exercícios físicos. Embora eles não saibam realmente o motivo pelo qual as vibrações funcionam, pesquisadores apontam que elas de fato parecem melhorar levemente o desempenho nos minutos depois que uma pessoa sai da máquina.

Porém, o problema é que existe pouco consenso sobre quão rápido as vibrações devem ser, ou em que direção as plataformas devem vibrar. Alguns estudos não puderam demonstrar nenhum efeito das vibrações. E existe a questão do que exatamente as vibrações fazem com os músculos e nervos.

“Certamente é intrigante, e grande parte das evidências sustenta que algo está acontecendo”, disse Lee E. Brown, diretor do Centro para o Desempenho Esportivo da California State University, Fullerton. Mas ele acrescentou: “Ainda estamos tentando descobrir qual o mecanismo exato”.

Enquanto isso, várias empresas produzem as plataformas vibratórias, que estão sendo usadas em academias e por alguns atletas.

Uma empresa, a Power Plate, alega que estrelas como Serena Williams e Justin Morneau, do Minnesota Twins, treinam com o aparelho. Um testemunho de outra empresa, a Wave, afirma que as equipes americanas de esqui e snowboard usaram suas placas vibratórias no treinamento para os Jogos de Inverno de 2010.

Mas os pesquisadores estão cautelosos.

“Tem algo nisso”, afirmou William J. Kraemer, professor de cinesiologia da Universidade de Connecticut e editor-chefe do “The Journal of Strength & Conditioning Research”, chamando-o de “mais uma ferramenta” para o condicionamento de atletas. Mas acrescentou que outros métodos de condicionamento podem produzir os mesmos resultados, ou melhores.

“Se pensarmos no condicionamento como uma caixa de ferramentas, há várias opções”, disse ele. “Mas quando as empresas vendem algo, querem fingir que apenas uma ferramenta faz tudo”.

Especialistas que experimentaram as plataformas as descrevem de diferentes maneiras. A sensação não é como usar uma britadeira, disse Hugh Lamont, biomecânico esportivo da East Tennessee State University. A maioria das placas vibratórias se move a não mais que 50 vezes por segundo e parece com as vibrações de um acento sobre o eixo de rodas de um ônibus, disse Lamont.

Outros dizem que as vibrações os fazem lembrar de esquiar ladeira abaixo – eles sentem o mesmo tipo de pancadas nas pernas e pés. Para Jeffrey M. McBride, professor associado de biomecânica e diretor do laboratório neuromuscular da Appalachian State University, em Boone, Carolina do Norte, a palavra que vem a mente é “estranho”.

“Sinto os músculos se contraindo”, contou. “Isso meio que cansa”.

Efeito passageiro

Porém, se há um efeito, dizem os especialistas, ele parece ter vida curta. As pessoas parecem correr levemente mais rápido imediatamente depois de ficar na plataforma. Elas também podem pular um pouco mais alto. As vibrações parecem ajudar as pessoas a se aquecerem para exercícios mais cansativos.

“O efeito se vai muito rapidamente”, disse Brown. “Não estamos falando de usar o aparelho para jogar uma partida de futebol de 90 minutos. Uma corrida, e o efeito já se vai. Você joga por um minuto e ainda tem os outros 89”.

Mas isso pode fazer a diferença, ele disse, se um atleta estiver próximo de tentar um pênalti no futebol, por exemplo.

Pesquisadores dizem que só podem supor sobre o motivo pelo qual as vibrações podem melhorar o desempenho. Sua principal hipótese é que isso de alguma forma simule o efeito de uma tarefa fácil após uma tarefa difícil – uma técnica simples que tem sido usada há anos.

“Se você levantar algo pesado e depois pegar algo consideravelmente mais leve”, explicou Lamont, “poderá jogar o peso mais leve mais longe”.

Mas isso importa? Por que não se aquecer da forma normal, ou fazer contrações isométricas antes de pular, ou levantar um peso pesado antes de tentar jogar um mais leve?

Ou por que não combinar tudo isso e fazer o aquecimento numa plataforma vibratória, ou tentar contrações isométricas entre os períodos de vibração?

Os pesquisadores pensaram nisso, e afirmam estar investigando. Enquanto isso, eles dizem, as pessoas devem ser céticas quanto aos efeitos de subir numa plataforma vibratória.

“Não sabemos muito sobre prescrever esse exercício”, disse Kraemer. “Esse é o problema”.

Mesmo assim, o aparelho está sendo usado muitas vezes sem a compreensão de como fazê-lo da melhor forma, ou que efeitos de longo prazo isso traria para o treinamento.

“A pesquisa”, disse Kraemer, “está tentando se atualizar”.

Fonte: UOL Ciência e Saúde.