Fisioterapia & Saúde

Juiz Baiano, Estudante de Fisioterapia e Modelo.

Galã do apito, juiz baiano conta como lida com assédio das fãs

Nádia Medeiros – Correio Braziliense

O baiano Diego Pombo fez sua estreia como árbitro da Série A do Brasileirão na semana passada, no Estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis. Apitou a partida entre Figueirense e Grêmio. Com apenas 24 anos, ele é o juiz mais novo do quadro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Apesar da pouca idade, até aí, nada de muito diferente da carreira de outros profissionais como ele. Porém, alguns detalhes o fizeram se destacar no meio da multidão.

Diego é dono de um belo par de olhos azuis e um corpo cheio de músculos bem trabalhados e distribuídos nos seus 1,90m de altura. É lindo, melhor dizendo. Dificilmente passaria despercebido em qualquer lugar que fosse. E foi justamente por esses atributos que a vida dele ganhou uma agitação a mais no últimos meses.

Depois de apitar o jogo de abertura do Campeonato Baiano deste ano, Diego foi convidado a participar de uma reportagem para contar sua história e também falar da atenção que chamou durante o jogo por causa de sua beleza. A matéria foi exibida nacionalmente e, com o desenrolar, Diego acabou sendo eleito o muso do Campeonato Baiano de 2011. Ganhou de todos os jogadores que estavam na parada com 53,1% dos votos. Propostas para modelar começaram a surgir aos montes.

“Sempre fechei as portas para esse tipo de trabalho (modelo) porque achava que poderia influenciar negativamente na minha carreira de juiz. Mas, conversando com a CBF, eles me falaram que, na verdade, seria o contrário, que traria uma repercussão positiva da mídia para os árbitros, mostrando que nós não somos aqueles caras que ninguém gosta”, justifica. “Eles só me proibiram de fazer algo muito sensual, como posar de cueca ou nu”, ressalta.

Sobre o assédio da mulherada, Diego é tímido. Segundo ele, quando está no campo trabalhando, nem consegue ouvir o que a galera está falando. “As pessoas têm pouco acesso ao árbitro, né? Então, no jogo, nem sinto isso. Só ouço coisas quando tem aquele coro de torcedores dizendo palavras carinhosas para a gente”, brinca. “O assédio é maior nas redes sociais ou, então, quando eles me encontram em algum lugar e reconhecem. Aí tem aquela curiosidade, pedem para tirar foto”, diz.

Maria apito

Entre as situações mais engraçadas pelas quais já passou, Diego Pombo lembra de uma vez que o quarto árbitro, no vestiário, o avisou que tinha uma menina fora do estádio querendo “pegá-lo”. “Aí eu disse: ‘nossa, agora até as meninas querem me bater?’”, conta. “Mas ele disse que era pegar de outra maneira”, diverte-se.

Diego ainda conta que, certa vez, sua mãe o esperava fora do estádio, após o jogo, e viu um grupo de meninas aguardando alguma coisa. Saiu o primeiro ônibus de jogadores e, nenhum movimento por parte delas. Saiu outro veículo com mais atletas e nada novamente. Até que Diego apareceu e a mulherada atacou. “Minha mãe fala que elas deixaram de ser maria chuteira para virar maria apito”, brinca.

Copa é o maior sonho

Diego Pombo tem todas as qualidades para seguir a carreira de modelo, mas afirma que seu foco é a arbitragem. “Claro que eu não vou fechar as portas para modelar. A gente nunca sabe o dia de amanhã. Mas o que eu quero para a minha vida é ser árbitro, é o que eu sinto prazer”, diz. Seu maior sonho? Como todo juiz, claro, é chegar ao topo da carreira e apitar uma Copa do Mundo. “Estou correndo atrás disso. Meu objetivo é entrar na Fifa e, quem sabe, estar nos próximos mundiais”. Em 2014, Diego diz que não é possível, pois já foi feita uma pré-seleção dos juízes que irão trabalhar no Brasil.

Ex-árbitro influenciou escolha

Foi por influência de um amigo que Diego Pombo decidiu escolher uma das profissões mais “ingratas”. Afinal, ouvir palavras nada carinhosas de torcedores a cada movimento — certo ou errado — não está nas lista das melhores coisas da vida. Mas, segundo ele, por não ter nascido com a habilidade nos pés, escolheu o apito.

O convívio com o também juiz baiano Lourival Dias Lima, que faleceu em 2008, fez com que ele escutasse muitas histórias e se encantasse pela profissão. Na época, quando tinha 16 anos, surgiu um curso de arbitragem e ele decidiu fazer, causando estranheza nos familiares, que depois acabaram o apoiando e hoje assistem a todos os jogos em que ele trabalha.

Mesmo cursando a faculdade de fisioterapia, ele não largou a arbitragem. Estreou como profissional no Baiano de 2008, na partida entre Poções e Itabuna. Ingressou no quadro da CBF em 2009 e, em 2010, apitou pela primeira vez na Série B do Brasileiro, no jogo da Ponte Preta contra o Asa de Arapiraca. Este ano, devido aos bons trabalhos no Campeonato Baiano, conquistou o prêmio de Árbitro Revelação Estadual e ainda foi indicado a Melhor Árbitro, mas ficou em segundo lugar.

Fonte: superesportes.