Fora da Ordem

Representatividade não exige procuração

(Foto: Reprodução / TV Globo)

A eliminação desta semana no Big Brother Brasil (BBB) 18 levantou um debate que ficou mais acalorado nos últimos anos. Representatividade importa? Para o apresentador Tiago Leifert, não. No discurso de eliminação, ele afirmou que a casa estaria com “outra nóia”, que as pessoas deixaram de ser elas mesmas para representar algo.

Leifert não poupou críticas à postura de Nayara, eliminada com 92,69% dos votos. A participante quis reivindicar visibilidade à população negra, mas se perdeu ao cair em ações controversas.

“‘Ah, eu represento a comunidade X’. ‘Fulano representa a comunidade Y’. ‘Eu represento não sei o que lá’. Deixa eu falar a real. Ninguém aqui fora deu procuração pra vocês representarem ninguém aí”, declarou o apresentador. “A gente preferiria que vocês baixassem o escudo. A gente não ficou olhando de onde vocês eram, a gente gostou de vocês. Abaixa o escudo, vamos conversar nós aqui”.

Não contente em querer moldar a personalidade e o jogo de cada participante, soltou mais essa: “Sem esse negócio de representatividade, que isso daí não leva a nada”.

O apresentador esqueceu de olhar para a própria história do programa, que sempre se preocupou em escolher “tipos”. Um dos vencedores do BBB, Jean Wyllys assumiu a homossexualidade em rede nacional, colocando-se, mesmo que não intencionalmente, como representante LGBT em 2005, quando a TV aberta ainda não havia acordado para a diversidade.

Leifert acerta ao criticar o desvio no objetivo dos participantes, mas peca ao querer redefinir uma das mais interessantes características do programa: a potencialidade de expor e revirar os conceitos.

Não importa aqui se o jogo de Nayara estava certo ou errado, mas sim o desejo do apresentador em reescrever a história do programa. E é sintomático que isso se mostre justamente em um debate como este. Representatividade não exige procuração. Homens brancos, heterossexuais, em posição privilegiada na sociedade não precisam de representatividade, e não são eles que devem definir qualidade do que é ou não representativo.

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