Fora da Ordem

Mr. Spaceman, projeto de Regis Damasceno, lança novo disco em meio ao isolamento

Capa por Gil Duarte (Binário Armada), detalhe do “Códex Mokoi Ygarussu de Língua Imaginada”.
Design por George Frizzo

No primeiro verso de “Bliss“, canção que abre o novo álbum do Mr. Spaceman, o vocalista Regis Damasceno canta que acordou em uma cidade fantasma e, por um dia, aquilo pareceu bom. O personagem da canção não recorda de muita coisa e se depara com o céu em tons de cinza e uma voz quase etérea que diz, como quem se despede com a certeza do reencontro: “Eu irei aonde você estiver”.

É assim, numa narrativa ora assombrosa, ora etérea, que Regis Damasceno dá as primeiras notas de Loop, lançado nesse dia 1º de julho. Produzido em maio último, em Recife, durante o isolamento social, o registro reúne um apanhado de ideias, peças e canções que estavam separadas, guardadas durante os últimos anos.

Ouça aqui o álbum Loop de Mr. Spaceman

(Foto: Marcelo Subrin)

Integrante da Cidadão Instigado, uma das mais importantes bandas de rock do cenário, Régis deixou a cinzenta São Paulo para passar o período de quarentena com a filha Rita, de sete anos, em Recife. É dela, aliás, a voz que ajuda a compor a atmosfera onírica da faixa que abre o disco.

“Eu vim pra cá ficar com ela durante a pandemia. Tinha muito material guardado, rabiscos de músicas, pedaços. Resolvi organizar e aproveitar o tempo aqui com ela, aí veio a vontade de gravar esse disco”, conta o artista.

“Eu fiz essa música aqui em Recife com o ukulele que eu dei pra ela. Fiquei tocando uns acordes e pedi: ‘Canta alguma alguma coisa, Rita'”, lembra. “Ela começou a cantar, eu gravei e depois editei pra colocar num lugarzinho bom pra aparacer a voz dela na música”.

O registro foi todo produzido por ele, que canta, toca violão, ukulele, guitarra, baixo, faz os synths – equilibrando o orgânico e o sintético. Julia Debasse, Samuel Fraga e Danilo Guilherme são alguns dos nomes que aparecem ao longo do trabalho.

Em “Running“, sétima faixa do disco, Damasceno chamou Mário Quinderé, “um parceiro antigo”, também de Fortaleza mas que hoje vive no Rio de Janeiro. É possível ouvir Quinderé, da Fish Magic, na música. A parceria, no entanto, é maior que isso. Com ele, Régis assina cinco das 11 faixas.

Loop é o quarto álbum da discografia do Mr. Spaceman, mas demorou sete anos para sair após Hay Fever (de janeiro de 2013). E não é como se o artista estivesse parado todo esse tempo. Em 2015, lançou com a Cidadão Instigado a obra prima do rock Fortaleza. De lá pra cá, produziu Pélico, tocou com Gui Amabis e tem estabelecido um trabalho brilhante com Karina Buhr.

“Dirigi um show do Criolo cantando Nelson Gonçalves, dirigi um show em homenagem ao filme Bacurau. Então, eu tava nessa roda viva desses trabalhos que tomam e levam nosso tempo”, destaca. “E agora com a pandemia pude parar pra ver o que tinha e achei que dava um bom material pra lançar o disco. E fiz aqui. Tô em Recife com a minha filha e tô feliz com o disco”.

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