Fora da Ordem

Epica reivindica lugar na realeza do metal sinfônico com “Omega Alive”

Simone Simons fez performance brilhante no lançamento do álbum “Omega” (Foto: Tim Tronckoe)

Primeiro registro de estúdio do Epica em cinco anos, o álbum “Ωmega” (2021) veio com a missão de concluir a trilogia metafísica começada com o elogiado “The Quantum Enigma” (2014) e que conta com o também querido “The Holographic Principle” (2016). Dito isso, é importante dizer que este não é um disco que apresenta novos elementos ou recalcula a rota do grupo liderado por Mark Jansen (guitarra/vocal). “Ωmega” é, contudo, um álbum com bons momentos e lapsos de previsibilidade.

No último dia 12, o disco foi apresentado pela primeira vez em uma apresentação gravada previamente para o que a banda holandesa gosta de chamar de evento universal de streaming: “Ωmega Alive”. Além de Mark, o sexteto composto por Simone Simons (vocal), Isaac Delahaye (guitarra), Coen Janssen (synths/piano), Ariën van Weesenbeek (bateria) e Rob van der Loo (baixo) proporcionou uma apresentação explosiva.

Disponível on demand durante 72 horas no site da banda, o show exclusivo gravado na Bélgica mostrou um grupo que sabe exatamente o que fazer para destacar sua grandiosidade e reivindicar o lugar como realeza do symphonic metal – título que tem sido muito bem representado pela finlandesa Nightwish, responsável pela popularização do estilo.

Produção cinematográfica

Epica apresentou o novo álbum, “Omega”, em evento de streaming (Foto: Tim Tronckoe)

O oitavo álbum do Epica foi apresentado de uma perspectiva cinematográfica, algo como o que um DVD ao vivo deveria se parecer nos dias de hoje. Menos ultrapassado, mais refinado e criativo. Sou fã dos registros ao vivo, mas DVD não é exatamente um produto atual. A produção grandiosa trouxe um palco em constante dinamicidade, experiência resultado da parceria com o diretor Jens de Vos, da Panda Productions, com efeitos especiais, balé e movimentos de câmera não muito vistos nos tradicionais registros ao vivo.

Dividido em cinco atos, o show refletiu bem a relação entre o heavy metal e o clássico, tão característico do metal sinfônico, e ganhou momentos espetaculares e originais, escritos especificamente para a apresentação, tanto de orquestra quanto de coros. “Rivers”, uma das mais bonitas canções do “Ωmega”, mostrou toda profundidade que a música exige com um brilhantismo nunca visto na história do grupo, com um belíssimo coral e a vocalista Simone Simons em grande momento na carreira.

Abrindo o espetáculo, “Abyss of Time – Countdown to Singularity” é um dos destaques, ao lado de “The Skeleton Key”, ambas do novo álbum. Também foi bonito ver e ouvir o peso e a importância de canções como “Cry For the Moon”, um dos clássicos do Epica, “Unchain Utopia”, “Kingdom of Heaven” e “Beyond the Matrix” no setlist.

Com um belo trabalho de produção e boas sacadas criativas e de condução do produto audiovisual, o Epica apresentou um show perfeito demais para uma apresentação ao vivo (que não permitiria toda essa magnificência). Fazendo aflorar ainda mais a saudade dos palcos, uma coisa é certa: o evento de potencial memorável reforça a grandiosidade do Epica e colabora com a manutenção do lugar do sexteto entre as realezas do metal sinfônico.

+ Relembre a passagem do Epica por Fortaleza

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